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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Por uma história do XIS (o lanche)

Para lembrar que pode-se fazer história de tudo e também para descontrair um  pouco, reproduzo aqui trecho do texto de um professor acadêmico- Luis Farinatti - em que ele faz um "estudo" sobre o famoso XIS. Uma espécie de símbolo do Rio Grande do Sul!

Link original: http://terradosmuitos.sul21.com.br/2012/08/06/200/

HISTÓRIA SOCIAL DO XIS

O interessante é que o xis parece ter se enquadrado, nos primeiros tempos, no ar de novidade que tinham os fast-foods. Sem dúvida, foi associado ao Hamburguer norte-americano, aqui chegado através das telas de cinema. Daí a relação com velocidade, tecnologia, praticidade e juventude. Enfim, com os valores de uma contemporaneidade que, nos ’80, tinha o futuro como uma categoria-fetiche – lembram da estética repleta de ângulos, referências espaciais, neons? Isso desde os objetos de decoração, passando pela arquitetura, até a moda com ombreiras e cabelos esculturados com gel.

Não é a toa que a Coca-cola era o acompanhante inescapável para xis. Tratava-se de uma das práticas de norte-americanização pelo consumo, que a juventude de classe média brasileira exercitou com dedicação naquela década. Havia uma música, do Gaúcho da Fronteira, em que ele criticava essa adesão, referindo-se a uma menina dizendo algo como “só toma coca com xis e repete que é feliz, mas vive muito confusa… tem direito de sonhar com essa vida made in USA. (…) Ô guria te endireita, tu já tá uma moça feita para bancar americana. Por causa do tal de rock, tu vives em Nova York sem sair de Uruguaiana.”
Porém, me parece que esse quadro foi se modificando nos anos posteriores. O xis difundiu-se verdadeiramente. Sua adaptação à gaúcha, ou seja, o sanduíche prensado até ficar com a casca do pão crocante virou marca distintiva e de orgulho regional. Santa Maria (universitária e jovem), vem sendo identificada como terra do xis, em um programa que foi, inclusive, encampado pela prefeitura municipal. Essa apropriação regionalista de algo que, antes, era tão “norte-americano” se deu em concomitância com a invasão dos verdadeiros fast-foods, os MacDonalds e seus genéricos. Algumas pessoas chegaram a dizer que não dariam certo por aqui, sendo que custavam o dobro do valor do “nosso” xis, mas com a metade do “peso”. O resultado é o que se vê, o MacDonalds está aí mas o xis segue vivo, encampando, ora vejam só, um discurso de resistência e matriz de construções identitárias. O xis aparece como uma refeição completa, daquelas que “pesam” no estômago, por um preço muito acessível. Para além do “lanche dos jovens de classe média” hoje o xis é consumido por várias camadas sociais. E talvez possa ser associado a uma longa tradição brasileira, uma “economia moral da comida”, entre as camadas populares, de que a melhor refeição tem que “encher a barriga” sem pesar no bolso. Enfim, são transformações dignas de atenção e curiosidade.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Os partidos políticos na história brasileira (1945-1964)

Os partidos políticos causam controvérsia. São vistos por muitos como simples agremiações em busca de poder, como mecanismo de se chegar ao poder sem levar em conta a população. Esta é uma visão muito difundida em função da descrença existente na política atualmente.
Mas os partidos tem, sim, fundamental importância: são eles que levam para arena política as demandas e os anseios da população, são mediadores entre a população e o poder. Evidentemente cada partido representa diferentes segmentos da sociedade, daí as diferenças entre partidos de esquerda - mais progressista e social - e direita - mais conservadora - e suas nuances: radical, moderado, centro, etc. E cada partido, internamente, tem dentro de si diversos "micropartidos" em disputa por poder ideológico - luta de ideias que vão definir um programa partidário - ou pessoal, simples disputa de poder pelo poder.
Enfim, sintetizo aqui as agremiações partidárias brasileiras após 1945, quando surgem os partidos de nível nacional:

EXPERIÊNCIA DEMOCRÁTICA (1945-1964)

Após o fim da ditadura getulista do Estado Novo, em que os partidos foram proibidos de existir, a democratização de 45 abriu espaço para o surgimento de diversas forças partidárias, muitas ainda sob influência de Vargas.

Reunião do PTB com Vargas
1 - Partido Trabalhista Brasileiro (PTB): Partido fundado por Getúlio Vargas e que trouxe a cena política aqueles que haviam se beneficiado da legislação trabalhista de Vargas: os trabalhadores urbanos. Foi anticomunista até a morte de Getúlio. A partir de 1954, aliou-se a grupos mais à esquerda da sociedade. Esteve na presidência da república com Getúlio Vargas (1950-1954) e João Goulart (1961-1964). Outra liderança importante foi o ex-governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola.

2- Partido Social Democrático (PSD): Também getulista, mas tinha entre seus membros a elite industrial e agrária que apoiava Vargas, além dos interventores estaduais do período estadonovista. Dai a força que o partido tinha; era o maior do país naquele período. Teve dois presidentes: Eurico  Gaspar Dutra (1945-1950) e Juscelino Kubitchek (1955-1960). Outra liderança foi o político mineiro Tancredo Neves.

Símbolo da UDN
3- União Democrática Nacional (UDN): Partido liberal economicamente falando e conservador em termos políticos. Agregava a elite antigetulista, minada do poder pelo ex-presidente, e também lideranças econômicas e empresariais que viam a política nacionalista do PTB como problema para a entrada do capital estrangeiro no país. Nunca conseguiu chegar a presidência, embora tenha apoiado Jânio Quadros (1960-1961) e tinha como lideranças o governador de Guanabara Carlos Lacerda e o ex-governador de Minas Gerais Magalhães Pinto.

4- Partido Comunista Brasileiro (PCB): Partido fundado em 1922, de origem operária, mas que nesse período, com a liderança do ex-tenentista Luis Carlos Prestes, aderiu a tese do nacionalismo e do antiimperialismo. Foi posto na ilegalidade em 1947 devido ao forte clima anticomunista vivido no país em meio a Guerra Fria.

5- Partido Social Progressista (PSP): Partido de caráter mais regional, sendo forte em São Paulo, em que tinha como liderança Ademar de Barros, ex-governador paulista. Teve Café Filho - vice de Getúlio - como presidente entre 1954 e 1955, após o suicídio do ex-presidente.

6- Partido Democrata Cristão (PDC) : Partido de origem católica, embora navegasse entre a igreja mais conservadora e as lideranças cristãs mais progressistas. Teve como líderes o ex-governador do Paraná Nei Braga e o ex-deputado paulista Franco Montoro.

7- Partido Libertador (PL): Forte apenas no Rio Grande do Sul, onde representava ideologicamente algo próximo as UDN. Lideranças agrárias e profissionais liberais aparecem nesse partido, destacando-se Raul Pilla e Paulo Brossard.

8- Partido da Representação Popular (PRP): agremiação dos ex-integralistas do período Vargas, com forte tendência conservadora e anticomunista. liderado por Plínio Salgado.

9- Movimento Trabalhista Renovador (MTR): Fundado pelo ex-PTB Fernando Ferrari. Muito se discute sobre os motivos da saída de Ferrari do PTB para fundar o MTR: seria por diferenças ideológicas ou porque não conseguia ter poder dentro do PTB e criou o seu próprio partido?

10 - Partido Socialista Brasileiro (PSB): Agremiação de lideranças de esquerda não-comunistas que tinha dentro da UDN. No entanto, sairam e formaram o próprio partido. Destacam-se como líderes Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco e avô de Eduardo Campos, e João Mangabeira.

Outros partidos do período: Partido Republicano (PR), Partido Trabalhista Nacional (PTN), Partido Social Trabalhista (PST), Partido Rural Trabalhista (PRT).