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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Quando Neandertais e Sapiens se encontraram

Reportagem interessante sobre a evidência mais clara de que Neandertais e Homo Sapiens conviveram juntos, algo que ainda não havia tanta certeza, agora se confirma!
Representação de um grupo Neandertal











Link original: http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/estudo-identifica-primeiro-cruzamento-de-humanos-modernos-com-neandertais-na-europa-16516055

Estudo identifica primeiro cruzamento de humanos modernos com neandertais na Europa

Análise de mandíbula de Homo sapiens de 40 mil anos mostra que ele era descendente próximo de neandertais

POR 

22/06/2015 12:00


segunda-feira, 30 de março de 2015

O que faz do ser humano diferente?

Interessante reportagem da BBC (link) sobre as quinze mudanças que fazem do homem o animal mais "curioso" que existe. Traz a tona diversos pontos sobre o que seria a evolução humana e como ela se diferenciou dos outros animais. Enfim, concordam com a reportagem?


Quinze mudanças que nos fizeram humanos

  • Representação da evolução humana: da esq. para a dir.:
    Australopithecus, Homo Erectus, Neanderthalensis e Sapiens
    29 março 2015
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Mudanças genéticas em ancestrais humanos determinaram "vantagens" na vida moderna.
Os humanos são provavelmente a espécie mais curiosa que já existiu.
Temos cérebros muito maiores que os de outros animais e que nos permitem construir utensílios, entender conceitos abstratos e usar a linguagem.
Mas também temos poucos pelos, mandíbulas fracas e demoramos para dar à luz.
Como a evolução explica essa criatura extravagante?

1. Viver em grupo


Os primeiros primatas, grupo que inclui macacos e humanos, surgiram pouco depois do desaparecimento dos dinossauros. Muitos começaram rapidamente a viver em grupos para melhor se defenderem de predadores, e isso exigiu de cada animal "negociar" uma rede de amizades, hierarquias e inimizades.
Sendo assim, viver em grupo pode ter impulsionado um aumento da capacidade intelectual.

2. Mais sangue no cérebro

Há 10-15 milhões de anos
Humanos, chimpanzés e gorilas descendem todos de uma espécie desconhecida e extinta de hominídeo.
Neste ancestral, um gene chamado RNF213 evoluiu rapidamente e pode ter estimulado o fluxo de sangue para o cérebro ao ampliar a artéria carótida.
Nos humanos, as mutações do RNF213 causam a doença de Moyamoya - um estreitamento da carótida que leva ao deterioramento da capacidade cerebral por conta da pouca irrigação do cérebro.

3. A divisão dos primatas

Há 7-13 milhões de anos
Nossos ancestrais se separaram de seus parentes parecidos com os chimpanzés há cerca de 7 milhões de anos. No início, tinham uma aparência bem similar, mas por dentro suas células estavam em marcha.
Os genes ASPM e ARHGAP11B entraram em mutação, assim como um segmento do genoma humano chamado HAR1.
Ainda não está claro o que provocou essas modificações, mas o ARHGAP11B e o HAR1 estão associados ao crescimento do córtex cerebral

4. 'Picos' de açúcar

Depois que a linha evolutiva humana se separou da linha dos chimpanzés, dois genes sofreram mutações.
Há menos de sete milhões de anos
O SLC2A1 e o SLC2A4 formam proteínas que transportam glicose para dentro e para fora das células.
Essas modificações podem ter desviado glicose dos músculos para o cérebro de hominídeos primitivos e é possível que tenha estimulado o crescimento do órgão.

5. Mãos mais hábeis

Nossas mãos são incrivelmente hábeis e nos permitem construir ferramentas ou escrever, entre outras atividades.
Há menos de 7 milhões de anos
Isso pode se dever em parte a um fragmento de DNA chamando HACNS1, que evoluiu rapidamente desde que nossos ancestrais e os ancestrais dos chimpanzés se dividiram.
Não se sabe o que o HACNS1 faz exatamente, mas ele contribuiu para o desenvolvimento de nossos braços e mãos.

6. Mandíbulas fracas: mais espaço para o cérebro

Em comparação com outros primatas, os humanos não podem morder com muita força porque têm músculos mais fracos em volta da mandíbula, bem como mandíbulas menores.
Há 2,4 - 5,3 milhões de anos
Isso parece se dever a uma mutação do gene MYH16, que controla a produção de tecido muscular.
A mutação ocorreu há pelo menos 5 milhões de anos. Mandíbulas pequenas podem ter liberado espaço para o crescimento do cérebro.

7. Dieta variada

Nossos ancestrais primatas mais antigos comiam principalmente frutas, mas espécies posteriores como o Australopithecus ampliaram seu cardápio.
Há 1,8 - 3,5 milhões de anos
Além de se alimentar com uma variedade maior de plantas, como ervas, comiam mais carne e inclusive a cortavam com ferramentas de pedra.
Mais carne levou ao consumo de mais calorias e menos tempo de mastigação.

8. Pelado, nu com a mão no bolso

Os humanos são quase pelados. Não se sabe a razão, mas isso ocorreu entre 3 e 4 milhões de anos atrás.
Há 3,3 milhões de anos
Suspeita-se que a perda de pelos tenha ocorrido em resposta à evolução de parasitas como carrapatos.
Exposta ao sol, a pele humana escureceu e a partir de então todos nossos ancestrais foram negros até que alguns humanos modernos deixaram os trópicos.

9. Um gene de inteligência

Há 3,2 milhões de anos
Um gene chamado SRGAP2 foi duplicado três vezes em nossos ancestrais e, como resultado, células cerebrais teriam desenvolvido mais conexões.

10. Cérebros maiores: primatas pensantes

Os humanos pertencem a um grupo ou gênero de animais conhecido como Homo. O fóssil mais antigo de Homo foi escavado na Etiópia e tem 2,8 milhões de anos.
Há 2,8 milhões de anos
A primeira espécie foi possivelmente o Homo habilisembora cientistas discordem deste argumento.
Em comparação com seus ancestrais, esses novos hominídeos tinham cérebros muito maiores.

11. Parto complicado: uma cabeça muito grande

Para os humanos, o parto é mais difícil e perigoso.
Há pelo menos 200 mil anos
Diferentemente de outros primatas, as mães quase sempre precisa de ajuda.
Caminhar sobre duas pernas fez com que as fêmeas humanas tenham um canal pélvico mais estreito e passagem de um bebê humano com a cabeça maior de seus ancestrais ficou dificultada.
Para compensar esse "problema logístico", bebês humanos nascem pequenos e indefesos.

12. Controle do fogo

Ninguém sabe quando os humanos aprenderam a controlar o fogo.
Há 1 milhão de anos
A evidência mais antiga do uso do fogo está na Caverna de Wonderwerk, na África do Sul, que contém cinzas fossilizadas e ossos queimados datando de um milhão de anos.
Mas alguns especialistas afirmam que o fato de homem já ser capaz de processar alimentos há mais tempo do que isso poderia incluir o ato de cozinhar.

13. O dom da fala

Todos os grandes hominídeos têm sacos de ar em seus tractos vocais, o que lhes permite emitir fortes gritos.
Há 600 mil - 1,6 milhão de anos
Mas não os humanos, porque essas bolsas fazem impossível produzir diferentes sons.
Nossos ancestrais aparentemente perderam os sacos de ar antes de se separar em termos evolucionários da espécie Neanderthal, o que sugere que eles também podiam falar.

14. Um gene para a linguagem

Algumas pessoas têm uma mutação em um gene chamado FOXP2.
Há meio milhão de anos
Como resultado, custa a elas entender gramática e pronunciar palavras.
Isso sugere que o FOXP2 é crucial para aprender o uso da linguagem.

15. Saliva reforçada para comer carboidratos

A saliva humana contém uma enzima chamada amilasa, fabricada pelo gene AMY1, e que digere amidos.
Humanos descendentes de agricultores têm mais cópias do gene AMY1
Os humanos modernos cujos ancestrais foram agricultores têm mais cópias do AMY1 que aqueles cujos ancestrais era caçadores, por exemplo.
Este reforço digestivo pode ter ajudado a dar início ao cultivo, aos povoados e às sociedades modernas.
Representação de um grupo de Homo Neanderthalensis

quarta-feira, 11 de março de 2015

O Estado Islâmico e a destruição do patrimônio histórico

O Estado Islâmico (EI) tem-se destacado nos noticiários pela sua ação em favor da construção de um estado muçulmano radical e contra aqueles que entendem ser adversários do islã, desconsiderando as presenças de outras culturas e religiões.
Bandeira do EI do Magreb,
norte da África.
Parece que nos últimos dias, além de perseguir aqueles que não concordam com suas posições - sejam muçulmanos de outras correntes ou não-muçulmanos - parece que o novo alvo do EI é o patrimônio histórico. O vídeo abaixo apresenta a destruição pelo radicais de estátuas de ídolos da cultura assíria, que existiu no atual Iraque a mais de 3 mil anos. A destruição destes vestígios são também um ataque a um pedaço da história, sob a alegação deste grupo de que não representvaam o islã ... O trabalho histórico é que acaba pagando...





Obs: O fundamentalismo religioso - a defesa de uma religião a partir de uma interpretação radical dos textos sagrados - não é uma exclusividade do islã: o link abaixo apresenta diversos grupos fundamentalistas tanto na religião judaica, como na cristã!


Mapa da região de atuação principal da EI, destacada
em vermelho, entre o Iraque e a Síria.
Superinteressante: o que é fundamentalismo?

Outras informações sobre o EI e as destruições de patrimônios:

El País
Terra
Folha de São Paulo

segunda-feira, 21 de julho de 2014

As estátuas gregas tinham cores

Interessante notícia do site terra sobre uma pesquisa que conseguiu identificar a existência de cores nas antigas estátuas gregas.


Arqueólogo: século 20 negligenciou as cores das estátuas gregas

Para Vinzenz Brinkmann, arqueólogos descobriram há séculos a policromia das figuras antigas, mas escolhemos esquecê-la por arrogância


Quando as estátuas gregas começaram a chamar a atenção dos escultores europeus da Renascença, elas eram brancas. Quando Michelangelo e outros artistas viram as formas e a falta de cor do mármore dos antigos, eles emularam os mestres em suas próprias obras. Mas não era assim que os gregos viam suas estátuas. Para eles, os deuses eram cheios de cor - e assim eram suas representações.
Em 2003, com uma exibição no museu Glyptothek, em Munique, o arqueólogo alemão Vinzenz Brinkmann mostrou pela primeira vez seu trabalho ao mundo: ele descobriu como elucidar quais cores eram usadas nas estátuas gregas. Com lâmpadas de alta intensidade, luz ultravioleta, câmeras, gesso e jarras de materiais químicos, o alemão passou as últimas décadas estudando o pouco que sobrou da tinta do mármore greco-romano. E, com o mesmo material usado pelos antigos, ele recriou as esculturas policromáticas como elas devem ter parecido há milhares de anos. 

Apesar do trabalho dos cientistas chamar a atenção de muita gente, ele diz que sabemos há muito tempo que as estátuas antigas eram coloridas. "Todas as estátuas gregas e romanas de mármores que foram destruídas pela guerra (ataque persa à Acrópole de Atenas) ou erupção vulcânica (Pompeia, Herculano) têm conservados muitos traços de cores e ornamentos registrados pelos escavadores e ainda visíveis a olho nu", diz ao Terra Brinkmann.
O pesquisador explica que Johann Joachim Winckelmann - a quem chama de "pai da arqueologia" - já havia compreendido em 1762 que as esculturas antigas de mármore eram coloridas quando ele viu achados recém-revelados de Pompeia. Outros cientistas observaram cores em objetos na Acrópole.
"Até mesmo o próprio (escritor Johann Wolfgang von) Goethe tinha - apesar de relutantemente - aceitado nos seus últimos anos que havia cor no mármore antigo. Então este fato era muito conhecido no início da pesquisa (das estátuas greco-romanas). No final do século 19, não havia mais dúvidas entre os estudiosos: as esculturas de mármore gregas foram ricas em cores. O século 20 talvez tenha negligenciado essa questão - provavelmente devido a novas estéticas de purismo. Não havia mais pesquisa, documentação ou visualização na ciência até iniciarmos nossa pesquisa nos anos 80", diz o pesquisador. "As cores vívidas e ornamentos da arte antiga são obstáculos para a arrogância europeia decorrente de uma estética e forma gregas abstratas e intelectuais."
O arqueólogo explica que não eram apenas as estátuas que eram coloridas, mas também templos - especialmente nas áreas superiores destes. Segundo o cientista, as cidades gregas e suas colunas eram pintadas, especialmente os ornamentos arquitetônicos. Ele afirma que apenas das cidades dóricas (a mais famosa talvez tenha sido Esparta) ainda não há prova do uso de tinta.

Contudo, alguns objetos ainda mantêm suas cores dos dias da Grécia Antiga - em especial os vasos. Por que, então, as estátuas perderam sua tinta? "A cor era adicionada com pigmentos orgânicos, como caseína ou ovo (técnica da têmpera). Os corantes orgânicos são destruídos por micro-organismos", explica o cientista.
Brinkmann diz que a policromia das estátuas era tão comum que havia uma profissão que consistia apenas em pintar o mármore trabalhado. Além disso, as figuras esculpidas eram vestidas com roupas reais e eram adornadas com joias autênticas e esses "adicionais" eram trocados anualmente. "Esse ato era chamado de kosmesis", diz o arqueólogo.

domingo, 9 de março de 2014

Egiptologia

Aos interessados em estudos sobre o Egito Antigo, publico este texto da arqueóloga Jamile Márcia Costa. O texto original esta neste link: http://arqueologiaegipcia.com.br/2013/08/31/egiptologia/ .
Sugiro olhar ouros textos do mesmo site, principalmente os interessados em arqueologia histórica.
Máscara mortuária de Tutankhamon

História da Egiptologia:
"A Batalha das Pirâmides". Francois-Louis-Joseph Watteau. 1798-1799.
“A Batalha das Pirâmides”. Francois-Louis-Joseph Watteau. 1798-1799.
O estudo arqueológico do Egito Antigo teve início com a invasão napoleônica ao país em 1798, isto graças ao grupo de cientistas e artistas que acompanharam o exército francês como uma comitiva que tinha como objetivo registrar aspectos culturais, históricos e botânicos da cultura egípcia (BARD, 1999), no entanto, o início da Egiptologia cientifica data de 1822, com a publicação do artigo Lettre à Dacier, relative à l’alphabet des hiéroglyphes phonétiques par les Égyptiens, pour inscrire sur les monuments les noms et surnoms des souverrains grecs et romains, escrito por Champollion, momento em que foi anunciada para a Académie des inscriptions et belles-lettres a decifração dos hieróglifos egípcios (GUKSCH, 1999; VERCOUTTER, 2002).
A diferença primordial entre Arqueologia Egípcia e Egiptologia é que possuir uma formação na segunda não habilita ninguém para exercer a primeira, ou seja, a Arqueologia é uma disciplina impar e necessita de um treino bastante específico tanto em termos teóricos como práticos. Já a Egiptologia é o estudo da extinta civilização egípcia, tratando-se de uma especialização agregada com outras disciplinas, tais como a própria Arqueologia ou História, Artes, Literatura, etc.
quadro_explicativo_egiptologia_site_arqueologia_egipcia
De uma forma geral a Egiptologia teve seu princípio como um estudo humanístico do passado, caracterizando-se por sua dedicação no campo da Filologia, História da Arte e até certo ponto por História Política. Embora esta disciplina, a priori, possuísse estes tipos de interesses, isto não a guiava para fora de outras preocupações, a exemplo da tentativa de entendimento da vida cotidiana, como mostram alguns trabalhos surgidos a partir de meados do século XIX (TRIGGER, 1998).
Logo do Egypt Exploration Society. Disponível em . acesso em 14 de agosto de 2013.
Logo do Egypt Exploration Society. Disponível em < http://www.csad.ox.ac.uk/POxy/ees/ees.htm >. acesso em 14 de agosto de 2013.
Uma das mais antigas associações de egiptólogos (as) é o Egypt Exploration Society e está aberta para profissionais, estudantes e curiosos. Porém, ser sócio do EES não dá ao interessado subsidio para realizar pesquisas de Arqueologia, muito menos um título de pesquisador. Desta forma não existe necessidade de que sua associação seja citada no seu currículo.
Fundado em 1882 como The Egypt Exploration Fund, o Egypt Exploration Society trata-se hoje de uma sociedade de Arqueologia que trabalha no Egito com o auxílio financeiro de seus sócios e vendas de documentários e livros. Destaca-se por ser uma das maiores organizações do tipo que atuam no país não só com a escavação, limpeza e análise de artefatos, mas com a Arqueologia Pública e programas educacionais para crianças.
Do que se trata o trabalho de um egiptólogo:
De acordo com Bard (1999), a Egiptologia trata-se da análise de antigos textos, artefatos e arquitetura egípcia. Naturalmente não se resume a isto. Segundo Guksch (1999), o campo de estudo da Egiptologia parte do Período Pré-Dinástico até 395 D. E. C., data da última inscrição hieroglífica conhecida. Em complemento Trigger (1998) aponta que para os interessados no estudo da vida cotidiana, serão necessários o entendimento da Filologia e da História da Arte.
Egiptólogo William Carruthers analisando registros históricos dos primórdios da Egiptologia. Disponível em . Acesso em 14 de agosto de 2013.
Egiptólogo William Carruthers analisando registros históricos dos primórdios da Egiptologia. Disponível em < http://www.ees.ac.uk/news/index/112.html >. Acesso em 14 de agosto de 2013.
Porém, graças ao grande número de materiais acadêmicos gerados, existe um amplo espaço de estudo e até a reanalise dos antigos diários de escavações, desta forma, a meu ver, o estudo da Egiptologia necessita expandir os seus debates para o Egito contemporâneo, especialmente em relação ao ainda recorrente emprego do orientalismo  nas pesquisas.
Kathleen Martinez. Disponível em . Acesso em 14 de agosto de 2013.
Kathleen Martinez em Taposiris Magna. Disponível em < https://www.facebook.com/photo.php?fbid= 335237159850106&set=pb. 257145350992621.-2207520000 .1376488905.&type=3&theater >. Acesso em 14 de agosto de 2013.
Predominantemente do sexo masculino (foi permitida a ampla da participação acadêmica de mulheres somente ao longo do século 20), os egiptólogos de meados do século 19 possuíam mais uma aspiração para a caça a tesouros e colecionismo em uma larga escala, do que a preocupação em manter a integridade dos artefatos. Em poucas palavras cada país europeu, representados por seus militares, cônsules e pesquisadores, travavam uma corrida para coletar os mais excêntricos e bonitos objetos para compor suas galerias e gabinetes de curiosidades (TRIGGER, 1998; PECK, 1999). Este era também a época dos estudos independentes e do diletantismo que, ainda que tenham contribuído fortemente para a deterioração de milhares de artefatos, foram responsáveis pela documentação e salvaguarda de muitos outros, embora em vários casos totalmente fora de contexto.
Foi somente em 1858 com a criação do Service des Antiquités, fundado pelo o arqueólogo francês Auguste Mariette (1821 – 1881), que as pesquisas e coletas de artefatos começaram a se regulamentar no país. Foi este serviço também o responsável pela a restrição e depois total proibição da saída de objetos arqueológicos do país. Este órgão mudou de nome cinco vezes até o atual momento, chamando-se Egyptian Antiquities Organization (a partir de 1971), Supreme Council of Antiquities (a partir de 1993), Ministry of State for Antiquities (em 2011) e Supreme Council of Antiquities novamente em 2011, mas dentro do Ministry of State for Antiquities, não mais do Ministério da Cultura.
Trabalho de Arqueologia na TT184. Disponível em . Acesso em 30 de abril de 2013.
Trabalho de Arqueologia na TT184. Disponível em < http://www.facebook.com/photo.php?fbid=406228292807679&set=a. 185828818180962.37761. 185391424891368&type=1& relevant_count=101 >. Acesso em 30 de abril de 2013.
Supreme Council of Antiquities é um órgão semelhante ao IPHAN do Brasil. Embora torne possível que escavações arqueológicas sejam realizadas no Egito a principal crítica contra o MSA/SCA é a sua burocracia.
Um dos grandes papéis do MSA/SCA além da fiscalização e regulamentação das pesquisas de Arqueologia no Egito é a imposição da publicação dos resultados da pesquisa por parte dos responsáveis pelas explorações, o que resulta em uma ampla produtividade acadêmica. Também tornou-se obrigatória nas equipes de escavações a presença de pesquisadores, em especial advindos da Arqueologia, com altas titulações acadêmicas e vasta experiência de campo.
Referências:
BARD, Kathryn A. “The study of ancient Egypt”. In: BARD, Kathryn.Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt. London: Routledge, 1999.
GUKSCH, Christian E. “Anthropology and Egyptology”. In: BARD, Kathryn.Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt. London: Routledge, 1999.
PECK, William. “History of Egyptology”. In: BARD, Kathryn. Encyclopedia of the Archaeology of Ancient Egypt. London: Routledge, 1999.
TRIGGER, Bruce. Early Civilizations: Ancient Egypt in Context. Cairo: The American University in Cairo, 1993.
VERCOUTTER, Jean. Em busca do Egito Esquecido. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.