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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Ditadura Militar brasileira (1964-1985)

Mais uma apresentação falando dessa vez sobre os sombrios anos da ditadura no Brasil, passando pelas suas três fases: formação (64-68), institucionalização (68-74) e distensão (74-85).

 

terça-feira, 28 de abril de 2015

Voto obrigatório: direito, obrigação ou dever?

Há tempos se discute no Brasil uma reforma política. Dentre os pontos mais falados está a questão da obrigatoriedade do voto. Como se sabe, no Brasil, o voto é obrigatório para homens e mulheres entre 18 e 70 anos e facultativo para jovens entre 16 e 18, maiores de 70 anos e analfabetos.
Barco da Justiça Eleitoral leva eleitores
as urnas na Amazônia
Para alguns, a obrigatoriedade do voto  restringe o direito do eleitor de decidir se quer mesmo ir ou não participar do jogo eleitoral. Seria uma obrigação imposta pelo Estado que retiraria uma liberdade do cidadão.
Para os defensores da manutenção do voto obrigatório, a ida a urna é mais que uma obrigação ou direito: é um dever. Assim como todo o cidadão brasileiro tem o dever de fazer o registro civil,  concluir o ensino fundamental e se alistar nas Forças Armadas, tem também o dever de votar, ou comparecer a urna, já que não é obrigado a escolher um candidato, pois tem a opção de abster-se a partir do voto em Branco ou anulação do voto.
Campanha favorável ao fim do voto
obrigatório.
Para quem é contra o voto obrigatório, a opção de ir as urnas possibilitaria uma maior "qualidade do voto", pois iriam aqueles que tem estudos e participação política. No entanto, esse argumento traz um olhar elitista, pois parte da ideia de que quem não tem estudo "não sabe votar". Alegam também que na maioria dos países o voto é facultativo. Para os favoráveis a manutenção da obrigatoriedade, o voto facultativo excluiria setores sociais como os mais pobres, que por vários motivos acabariam reduzindo sua participação nas eleições, lembrando que os políticos costumam levar em conta na sua atuação aqueles que o elegeram. Se os pobres não votam, porque se preocupar com eles?
Enfim, o debate é grande e deixo aqui o vídeo do cientista político Bruno Reis sobre o tema.
Participem também da enquete ao lado: você é a favor ou contra o fim do voto obrigatório no Brasil?

BIBLIOGRAFIA
ARAÚJO, Cícero. Voto Obrigatório. IN: AVRITZER, L. Reforma Política no Brasil, UFMG, 2006.
KERCHE, Fábio, FERES JR. João. Um nobre dever. IN: Revista de História da Biblioteca Nacional, outubro de 2014.
STADLER, Júlia. Às urnas, cidadão! IN: Revista de História da Biblioteca Nacional, outubro de 2014.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Os últimos dias da Ditadura (1984-1985): diretas já!, eleição indireta e o presidente que não foi...

Prezados/as,

A Ditadura Militar já vinha dando sinais de cansaço e desgaste nos fins dos anos 70. A crise do petróleo enfraqueceu a economia brasileira, entrando, a partir de 1978, numa crise profunda, só solucionada nos anos 90. As pressões da sociedade sobre os governos militares também forçavam o regime a abrir, bater em retirada aos poucos para retornar aos quartéis. No entanto, todo esse movimento de abertura era controlado pelos militares, evitando que o poder civil fosse retomado por lideranças de oposição mais forte e mais à esquerda.
Centro de Porto Alegre tomada pelo povo em manifestação
das Diretas, em 1984.
De qualquer forma, havia as pressões vinda das oposições moderadas - destacando-se a igreja, as entidades civis como a Ordem dos Advogados do Brasil e o MDB, partido de oposição ao regime; do novo sindicalismo, disposto a lutar pelos melhores salários a partir da greve e sem estar preso ao Estado e o retorno dos exilados da ditadura como Leonel Brizola, feroz adversário da Ditadura instaurada em 1964.
Uma das medidas adotadas pelo governo para abrir o regime foi o fim do bipartidarismo e o retorno do pluripartidarismo - ou seja, não era obrigado a ter apenas dois partidos - a medida acabou dividindo as oposições, pois o MDB se transformou em três partidos: PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), PT (Partido dos Trabalhadores), PDT (Partido Democrático Trabalhista). Enquanto a ARENA - partido do regime, apenas trocou de nome: PDS (Partido Democrático Social). Também foram retomadas as eleições para governadores e prefeitos de capitais, impedidas desde 1966.
Todavia, ainda não poderia ter eleições diretas para presidente. Dai a população, com a liderança de diversos partidos e entidades sociais, terem ido as ruas do país em 1984 para protestar pelas "Diretas-Já!" Ou seja, defender a volta da eleição pelo voto popular para presidente. As manifestações ocorreram por todo o país e pressionavam o Congresso Nacional a votar a favor da Emenda do deputado Dante de Oliveira (PMDB-Mato Grosso) que marcava eleições para 1985. Apesar do povo nas ruas, a emenda foi rejeitada.
Lideranças políticas brasileiras em manifestação pelas Diretas
O que não significava que não teria eleições: estava marcada para 15 de janeiro de 1985 as eleições indiretas - ou seja, feita apenas entre os deputados e senadores do Congresso - que definiria o primeiro presidente civil do país depois de 21 anos. Foram lançados Tancredo Neves (PMDB-Minas Gerais) e Paulo Maluf (PDS - São Paulo). É interessante que o próprio regime apoiou a candidatura de Tancredo, um homem moderado e que havia se comprometido e fazer uma transição para o regime democrático de forma gradual. Abandonaram, dessa forma, o candidato do partido regime, o ex-governador de São Paulo Maluf.
Portanto, com um grande apoio no Congresso, Tancredo venceu as eleições e seria o novo presidente do Brasil. No entanto, não foi. Acometido por um tumor, Tancredo acabou sendo internado em um hospital um dia antes da sua posse e veio a falecer em 21 de abril de 1985.
Capa da revista Manchete destaca a vitória
de Tancredo, abraçado ao seu vice, Sarney.
Quem assumiu era Jose Sarney, ex-governador do Maranhão, homem do regime militar, mas que havia trocado de lado para apoiar Tancredo. Seu governo foi controverso, em uma época complicada para o país, mas aí é tema para outro post...

BIBLIOGRAFIA:

Gomes, Rodrigo. 1989: a maior eleição da história. Porto Alegre, ed. Lorigraf, 2014.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O golpe de 64: videoreportagem

Prezados/as,

Aqui está o vídeo sobre o golpe de 64 que assistimos nas turmas 83 e 84. Destaco nesse vídeo as pressões internas - crise política e econômica durante o governo Goulart e a oposição militar e CIVIL que procuravam desestabilizar o presidente - e externas - o papel norte-americano no golpe ocorrido no Brasil.
Imagem do comício da Central do Brasil, no
Rio de Janeiro, em 13 de março de 1964.
 Também prestem atenção nos depoimentos dos três ex-membros do governo Goulart em que falam sobre os acontecimentos entre o dia 31 de março e o 1° de abril de 1964. Esse vídeo é muito bom para entendermos os fatores que levaram a queda da democracia brasileira naquele período e a inauguração de um período repressivo que durou 21 anos.



Capa do Jornal O Globo, defendendo o golpe,
vista como uma 'intervenção militar democrática".
A própria imprensa teve de rever tal posição com
o aprofundamento da repressão da ditadura.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

10 mitos sobre a Ditadura Civil-Militar brasileira (1964-1985)

É comum ainda ouvirmos pessoas mais velhas falarem que a ditadura no Brasil não foi tão violenta assim, que bastava não mexer com os militares que eles não faziam, de que a repressão só começou em 1968, que se evitou um "golpe comunista" etc. Uma série de mitos construídos para justificar o injustificável: a derrubada de um regime democrático que tinha seus problemas, mas que certamente não era com autoritarismo e repressão que se resolveriam.
Essa reportagem do site da Superinteressante ajuda a quebrar alguns desses mitos e a entender que as ditaduras nunca são alternativas boas para se resolver os problemas de um país.

Gregório Bezerra, ex-deputado comunista, foi arrastado pelas
de Recife no primeiro dia após o golpe por militares: o que
que a Repressão começou junto com o golpe.


Link original: http://super.abril.com.br/blogs/historia-sem-fim/10-mitos-sobre-a-ditadura-no-brasil/

10 mitos sobre a ditadura no Brasil (ou Por que você não deve querer que ela volte)

Rôney Rodrigues  2 de abril de 2014

 Em 1964, um golpe de estado que derrubou o presidente João Goulart e instaurou uma ditadura no Brasil. O regime autoritário militar durou até 1985. Censura, exílio, repressão policial, tortura, mortes e “desaparecimentos” eram expedientes comuns nesses “anos de chumbo”. Porém, apesar de toda documentação e testemunhos que provam os crimes cometidos durante o Estado de exceção, tem gente que acha que naquela época “o Brasil era melhor”. Mas pesquisas da época – algumas divulgados só agora, graças à Comissão Nacional da Verdade – revelam que o período não trouxe tantas vantagens para o país.
Nas últimas semanas, recebemos muitos comentários saudosistas em relação à ditadura na página da SUPER no Facebook. Em uma época em que não é incomum ver gente clamando pela volta do regime e a por uma nova intervenção militar no país, decidimos falar dos mitos sobre a ditadura em que muita gente acredita.

1. “A ditadura no Brasil foi branda”

Pois bem, vamos lá. Há quem diga que a ditadura brasileira teria sido “mais branda” e “menos violenta” que outros regimes latino-americanos. Países como Argentina e Chile, por exemplo, teriam sofrido muito mais em “mãos militares”. De fato, a ditadura nesses países também foi sanguinária. Mas repare bem: também foi. Afinal, direitos fundamentais do ser humano eram constantemente violados por aqui: torturas e assassinatos de presos políticos – e até mesmo de crianças – eram comuns nos “porões do regime”. Esses crimes contra a humanidade, hoje, já são admitidos até mesmo pelos militares . Para quem, mesmo assim, acha que foi “suave” a repressão, um estudo do governo federal analisou relatórios e propõe triplicar a lista oficial de mortos e desaparecidos políticos vítimas da ditadura militar. Ou seja: de 357 mortos e desaparecidos com relação direta ou indireta com a repressão da ditadura (segundo a lista da Secretaria de Direitos Humanos), o número pode saltar para 957 mortos.

2. “Tínhamos educação de qualidade”
Naquele época, o “livre-pensar” não era, digamos, uma prioridade para o regime. Havia um intenso controle sobre informações e ideologia – o que engessava o currículo – e as disciplinas de filosofia e sociologia foram substituídas por Educação, Moral e Cívica e por OSPB (Organização Social e Política Brasileira, uma matéria obrigatória em todas as escolas do país, destinada à transmissão da ideologia do regime autoritário). Segundo o estudo “Mapa do Analfabetismo no Brasil”, do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), do Ministério da Educação, o Mobral (Movimento Brasileiro para Alfabetização) fracassou. O Mobral era uma resposta do regime militar ao método do educador Paulo Freire – considerado subversivo -, empregado, já naquela época, com sucesso no mundo todo. Mas os problemas não paravam por aí: com o baixo índice de investimento na escola pública, as unidades privadas prosperaram. E faturaram também. Esse “sucateamento” também chegou às universidades: foram afastadas dos centros urbanos – para evitar “baderna” – e sofreram a imposição do criticado sistema de crédito.

3. “A saúde não era o caos de hoje”
Se hoje todo mundo reclama da “qualidade do atendimento” e das “filas intermináveis” nos hospitais e postos de saúde, imagina naquela época. Para começar, o acesso à saúde era restrito: o Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social) era responsável pelo atendimento público, mas era exclusivo aos trabalhadores formais. Ou seja, só era atendido quem tinha carteira de trabalho assinada. O resultado era esperado: cresceu a prestação de serviço pago, com hospitais e clínicas privadas. Essas instituições abrangeram, em 1976, a quase 98% das internações. Planos de saúde ainda não existiam e o saneamento básico chegava a poucas localidades, o que aumentava o número de doenças. Além disso, o modelo hospitalar adotado relegava a assistência primária a segundo plano, ou seja, para os militares era melhor remediar que prevenir. O tão criticado SUS (Sistema Único de Saúde) – que hoje atende cerca de 80% da população – só foi criado em 1988, três anos após o fim da ditadura.

4. “Não havia corrupção no Brasil”

Uma características básica da democracia é a participação da sociedade civil organizada no controle dos gastos, denunciando a corrupção. E em um regime de exceção, bem, as coisas não funcionavam exatamente assim. Não havia conselhos fiscalizatórios e, depois da dissolução do Congresso Nacional, as contas públicas não eram sequer analisadas, quanto mais discutidas. Além disso, os militares investiam bilhões e bilhões em obras faraônicas – como Itaipu, Transamazônica e Ferrovia do Aço -, sem nenhum controle de gastos. Esse clima tenso de “gastos estratosféricos” até levou o ministro Armando Falcão, pilar da ditadura, a declarar que “o problema mais grave no Brasil não é a subversão. É a corrupção, muito mais difícil de caracterizar, punir e erradicar”.Muito pouco se falava em corrupção. Mas não significa que ela não estava lá. Experimente jogar no Google termos como “Caso Halles”, “Caso BUC” e “Caso UEB/Rio-Sul” e você nunca mais vai usar esse argumento.

5. “Os militares evitaram a ditadura comunista”
É fato: o governo do presidente João Goulart era constitucional. Seguia todo à risca o protocolo. Ele chegou ao poder depois da renúncia de Jânio Quadros, de quem era vice. Em 1955, foi eleito vice-presidente com 500 mil votos a mais que Juscelino Kubitschek. Porém, quando Jango assumiu a Presidência, a imprensa bateu na tecla de que em seu governo havia um “caos administrativo” e que havia a necessidade de reestabelecer a “ordem e o progresso” através de uma intervenção militar. Foi criada, então, a ideia da iminência de um “golpe comunista” e de um alinhamento à URSS, o que virou motivo para a intervenção. Goulart não era o que se poderia chamar de marxista. Antes de ser presidente, ele fora ministro de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek e estava mais próximo do populismo. Em entrevista inédita recentemente divulgada, o presidente deposto afirmou que havia uma confusão entre “justiça social” – o que ele pretendia com as Reformas de Base – e comunismo, ideia que ele não compartilhava: “justiça social não é algo marxista ou comunista”, disse. Há também outro fator: pesquisas feitas pelo Ibope às vésperas do golpe, em 31 de março, mostram que Jango tinha um amplo apoio popular, chegando a 70% de aprovação na cidade de São Paulo. Esta pesquisa, claro, não foi revelada à época, mas foi catalogada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

6. “O Brasil cresceu economicamente”
Um grande legado econômico do regime militar é indiscutível: o aumento da dívida externa, que permaneceu impagável por toda a primeira década de redemocratização. Em 1984, o Brasil devia a governos e bancos estrangeiros o equivalente a 53,8% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Sim, mais da metade do que arrecadava. Se transpuséssemos essa dívida para os dias de hoje, seria como se o Brasil devesse US$ 1,2 trilhão, ou seja, o quádruplo da atual dívida externa. Além disso, o suposto “milagre econômico brasileiro” – quando o Brasil cresceu acima de 10% ao ano – mostrou que o bolo crescia sim, mas poucos podiam comê-lo. A distribuição de renda se polarizou: os 10% dos mais ricos que tinham 38% da renda em 1960 e chegaram a 51% da renda em 1980. Já os mais pobres, que tinham 17% da renda nacional em 1960, decaíram para 12% duas décadas depois. Quer dizer, quem era rico ficou ainda mais rico e o pobre, mais pobre que antes. Outra coisa que piorava ainda mais a situação do população de baixa renda: em pleno milagre, o salário mínimo representava a metade do poder de compra que tinha em 1960.

7. “As igrejas apoiaram”
Sim, as igrejas tiveram um papel destacado no apoio ao golpe. Porém, em todo o Brasil, houve religiosos que criaram grupos de resistência, deixaram de aceitar imposições do governo, denunciaram torturas, foram torturados e mortos e até ajudaram a retirar pessoas perseguidas pela ditadura no país. Inclusive, ainda durante o regime militar, uma das maiores ações em defesa dos direitos humanos – o relatório “Brasil: Nunca Mais” – originou-se de uma ação ecumênica, desenvolvida por dom Paulo Evaristo Arns, pelo rabino Henry Sobel e pelo pastor presbiteriano Jaime Wright. Realizado clandestinamente entre 1979 e 1985, gerou uma importante documentação sobre nossa história, revelando a extensão da repressão política no Brasil.

8. “Durante a ditadura, só morreram vagabundos e terroristas”
Esse é um argumento bem fácil de encontrar em caixas de comentário da internet. Dizem que quem não pegou em armas nunca foi preso, torturado ou morto pelas mãos de militares. Provavelmente, quem acredita nisso não coloca na conta o genocídio de povos indígenas na Amazônia durante a construção da Transamazônica. Segundo a estimativa apresentada na Comissão da Verdade, 8 mil índios morreram entre 1971 e 1985. Isso sem contar as outras vítimas da ditadura que não faziam parte da guerrilha. É o caso de Rubens Paiva. O ex-deputado, cassado depois do golpe, em 1964, foi torturado porque os militares suspeitavam que, através dele, conseguiriam chegar a Carlos Lamarca, um dos líderes da oposição armada. Não deu certo: Rubens Paiva morreu durante a tortura. A verdade sobre a morte do político só veio à tona em 2014. Antes disso, uma outra versão (bem mal contada) dizia que ele tinha “desaparecido”. Para entrar na mira dos militares durante a ditadura, lutar pela democracia – mesmo sem armas na mão – já era motivo o suficiente.

9. “Todos os militares apoiaram o regime”
Ser militar na época não era sinônimo de golpista, claro. Havia uma corrente de militares que apoiava Goulart e via nas reformas de base um importante caminho para o Brasil. Houve focos de resistência em São Paulo, no Rio de Janeiro e também no Rio Grande do Sul, apesar do contragolpe nunca ter acontecido. Durante o regime, muitos militares sofreram e estima-se que cerca 7,5 mil membros das Forças Armadas e bombeiros foram perseguidos, presos, torturados ou expulsos das corporações por se oporem à ditadura. No auge do endurecimento do regime, os serviços secretos buscavam informações sobre focos da resistência militar, assim como a influência do comunismo nos sindicatos, no Exército, na Força Pública e na Guarda Civil.

10. “Naquele tempo, havia civismo e não tinha tanta baderna como greves e passeatas”
O então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva
discursando em greve no fim dos anos 70.


Quando os militares assumiram o poder, uma das primeiras medidas que tomaram foi assumir a possibilidade de suspensão dos diretos políticos de qualquer cidadão. Com isso, as representações sindicais foram duramente afetadas e passaram a ser controladas com pulso forte pelo Ministério do Trabalho, o que gerou o enfraquecimento dos sindicatos, especialmente na primeira metade do período de repressão. Afinal, para que as leis trabalhistas vigorem, é necessário que se judicializem e que os patrões as respeitem. Com essa supressão, os sindicatos passaram a ser compostos mais por agentes do governo que trabalhadores. E os direitos dos trabalhadores foram reduzidos à vontade dos patrões. Passeatas eram duramente repreendidas. Quando o estudante Edson Luísa de Lima Souto foi morto em uma ação policial no Rio de Janeiro, multidões foram às ruas no que ficou conhecido com o a Passeata dos Cem Mil. Nos meses seguintes, a repressão ao movimento estudantil só aumentou. As ações militares contra manifestações do tipo culminaram no AI-5. O que aconteceu daí para a frente você já sabe.

 



terça-feira, 6 de maio de 2014

50 anos do golpe civil-militar de 1964 - 2

ESPORTE E DITADURA - O USO POLÍTICO DA COPA DE 1970

Seleção de 1970
Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gérson e Rivelino; Pelé, Tostão e Jairzinho. Esse foi o Brasil que encantou o mundo no México em 1970. Com vitórias avassaladoras, atuações e gols espetaculares de Pelé e Cia. Não quem não lembre daquela seleção.
Propaganda do governo: usos e abusos do
nacionalismo
Entretanto, poucos lembram de como o título mundial de 1970 acabou ajudando a Ditadura instaurada em 1964 a propagar pelo mundo a ideia de que o Brasil ia bem, de que não havia problemas. A imagem da seleção brasileira certamente ajudou - e muito - a unir a população em torno da seleção e "esquecer" a falta de liberdades políticas, a repressão aos movimentos contrários a ditadura, a violência do Estado.
Ao fim, o governo conseguiu fazer prevalecer o nacionalismo e para isso a seleção de 1970 acabou vindo bem a calhar... Ao fim, o presidente-ditador Médici soube bem explorar a paixão pelo futebol dos brasileiros para garantir o apoio ao regime ditatorial e autoritário.
Ditador Médici e a taça Jules Rimet


 VIDEO: FINAL BRASIL 4 X 1 ITÁLIA

segunda-feira, 31 de março de 2014

50 anos do golpe civil-militar de 1964 - 1

Neste 1° abril (irônico...) completam 50 anos do golpe civil-militar que colocou o Brasil em longos 21 anos de um regime autoritário, repressivo e violento - tanto em agressões físicas como a tortura e assassinatos, como em agressões simbólicas como a espionagem, a censura. Relembrar esses dias é fundamental para conhecermos melhor a nossa história e conhecer melhor a nossa sociedade. Para que nunca se esqueça, enfim.
Ditadura: que nunca mais ocorra

Todo dia 1° farei uma postagem sobre o assunto e hoje vou retomar os dias que antecederam o golpe.

ANTESSALA DO GOLPE: FIM DO GOVERNO JANGO

O Brasil vivia sob um regime democrático até os fins de março de 1964. O presidente naquele momento era João Goulart, conhecido como Jango. Gaúcho de São Borja, herdeiro político de Getúlio Vargas, Jango governava o país desde 1961 e a sua posse, na época, fora contestada pela alta hierarquia militar que viam em sua figura um "comunista", alguém interessado em implantar uma ditadura apoiada pela URSS - lembremos que era época da Guerra Fria (clicar aqui), o mundo estava dividido entre capitalistas e comunistas.
No entanto, Jango estava longe de ser um simpatizante da União Soviética: era um grande proprietário de terras, mas que, de fato, na sua atuação política, demonstrava preocupação com as reivindicações sociais, especialmente a reforma agrária. Tentou-se mudar as leis sobre a distribuição de terras de forma negociada, mas que não fora aceita nem pela esquerda mais radical - como Leonel Brizola, ex-governador do RS e cunhado de Jango, que queria uma reforma mais forte, retirando terras sem indenizações aos latifundiários - menos ainda pela direita, que não queria abrir mão dos seus privilégios.
Imagens do Comício: estimativas falam
em 150 mil pessoas.
Ou Jango apoiava as reformas sociais - conhecidas como reformas de base - de forma veemente, ao lado de Brizola e outras lideranças trabalhistas, comunistas e estudantis, enfrentando as elites, ou lavava as mãos e abria mão das suas convicções políticas. Jango, em 13 de março de 1964, convocou um comício na Central do Brasil, no RJ e nela declarou que trabalharia pelas reformas sociais. Entre os conservadores, a tomada de posição do presidente significava adesão a políticas que restringiam seus privilégios e que foram vistas como uma "ameaça de comunização do Brasil".
A resposta reacionária veio em 19 de março, com a "Marcha com Deus, plea família e liberdade contra o comunismo", em São Paulo, que reuniu pessoas contra as medidas reformistas de Jango.
Nos quartéis, crescia a reação contra Jango, principalmente entre os militares de alta patente, muito em função do apoio do presidente as reivindicações dos cabos e soldados, culminando com o discurso em favor dos subalternos militares em 30 de março.
Daquele momento em diante, os militares insatisfeitos com a postura de Jango e aliados aos conservadores civis (empresários, políticos de direita, grande imprensa), iniciaram o movimento que culminou com a queda de Jango, seu exílio e a entrada em cena de um regime pouco afeito - melhor, nada afeito - ao diálogo.
Marcha da Família: reação conservadora às
 reformas de base
Daí o uso do termo"civil" junto com o militar: o golpe foi dado não só pelo exército, mas também por setores da sociedade civil que não aceitavam as medidas reformistas de Jango. Não acreditavam na democracia. não ao menos quando ela não lhes interessava.






VÍDEO: Trecho do discurso de Jango no Comício da Central do Brasil (13/03/1964)



BIBLIOGRAFIA:

FERREIRA, Jorge. O Imaginário Trabalhista. Ed. Civilização Brasileira, 2005.
FERREIRA, JORGE; DELGADO, Lucilia. O Brasil Republicano: o tempo da experiência democrática. Ed. Civilização Brasileira, 2013

sexta-feira, 28 de março de 2014

A Cidadania no Brasil (1889-1930)

Gurizada,

aqui está os slides que começamos a ver hoje, na 84,e começaremos na segunda, na 83. Já deem uma boa olhada pois faremos um trabalho longo em cima deste assunto.



sexta-feira, 21 de março de 2014

1930 - Tempo de Revolução

83 e 84,

Este é o vídeo que iremos assistir a partir da semana que vem. Caso queiram já assisti-lo, está aqui.
O assunto é a revolução de 1930, que alterou aquele sistema político da República café-com-leite que vimos nas aulas anteriores. Ele retoma muitas questões que já vimos, e introduz os problemas sociais, econômicos e, principalmente, políticos (rompimento entre as elites paulista e mineira, surgimento do tenentismo, reivindicações sociais) que levaram a vitória de Getúlio Vargas e seu grupo em 1930.



Os gaúchos amarram os cavalos no obelisco, no Rio de Janeiro, em 1930.
A revolução vencia a "República Velha"

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Brasil - República Velha (1889-1930): imagens

Turmas 83 e 84,

Para iniciarmos os trabalhos, sugiro que olhem estas imagens da chamada República Velha, que fora a primeira experiência republicana do Brasil, já no fim do século XIX e início do XX. O que acharam? tragam suas dúvidas para as aulas!

ABAIXO DAS IMAGENS: lista dos presidentes da República durante a República Velha - se puderem, levem para a aula esta lista!
1. Quadro "A Pátria", do pinto Pedro Bruno: representação da nação
2. Família de imigrantes italianos do
interior de São Paulo


3. Representação de uma propriedade produtora de café

4. Imagem da Greve Geral dos operários de 1917, em
São Paulo.

5. O "voto de cabresto": o camponês submetido a vontade
de um oligarca.

6. A Coluna Prestes: apogeu do movimento tenentista

7. Getúlio Vargas (branco), líder da Revolução de 1930, que derrubou a República
Velha, ainda quando era aliado do então presidente Washington Luís (Preto).


LISTA DE PRESIDENTES DO BRASIL DURANTE A I REPÚBLICA (1889-1930)


PRESIDENTE
PARTIDO
PERÍODO
OBSERVAÇÃO

Deodoro da Fonseca
-
1889-1891
Militar

Floriano Peixoto
-
1891-1894
Militar

Prudente de Morais
PRF[1]
1894-1898
Primeiro presidente civil

Campos Sales
PRP[2]
1898-1902
Artífice da Política dos Governadores

Rodrigues Alves
PRP
1902-1906
Questão do Acre resolvida em seu governo[3]

Afonso Pena
PRM[4]
1906-1909


Nilo Peçanha
PRF[5]
1909-1910
Assumiu após o falecimento de Pena

Hermes da Fonseca
PRC[6]
1910-1914
Venceu a Campanha Civilista de Ruy Barbosa[7]

Venceslau Brás
PRM
1914-1918


Delfim Moreira
PRM
1918-1919
Assumiu no lugar de Rodrigues Alves, eleito, mas que faleceu antes da posse.

Epitácio Pessoa
PRM
1919-1922


Artur Bernardes
PRM
1922-1926
Tenentismo surge como reação ao governo Bernardes

Washington Luís
PRP
1926-1930


Getúlio Vargas
AL[8]
1930-1945




[1] Partido Republicano Federal
[2] Partido Republicano Paulista: Partido que congregava todos os representantes das oligarquias paulistas, especialmente os cafeicultores e os industriais.
[3] Disputa territorial entre Brasil e Bolívia: inúmeros brasileiros viviam naquela região como seringueiros – trabalhadores da extração de borracha. Todavia, o território era boliviano. Um acordo financeiro acabou anexando o território do Acre ao Brasil.
[4] Partido Republicano Mineiro: assim como os outros partidos regionais, tinha a presença da elite econômica e política do Estado de Minas Gerais
[5] Partido Republicano Fluminense: representante da oligarquia do Rio de Janeiro
[6] Partido Republicano Conservador: Formado pelo PRM e o PRR (Partido Republicano Rio-Grandense) e que fortaleceu no cenário político nacional os gaúchos.
[7] Nas eleições de 1910, o baiano Ruy Barbosa candidatou-se a presidência contra Hermes da Fonseca com o apoio do PRP e baseou sua campanha no civilismo, ou seja, tinha como bandeiras o afastamento dos militares da política e a defesa de reformas como o voto secreto e o liberalismo econômico, opondo-se as políticas das oligarquias.
[8] A Aliança Liberal foi formada pelos gaúchos – unindo PRR e as oposições – O Partido Democrático – dissidentes do PRP em São Paulo e que defendiam mudanças políticas e sociais -  e o PRM. A AL enfrentou os paulistas nas eleições de 1930 e saíram derrotados. O estopim da formação da aliança foi o fato de Washington Luís não ter indicado um mineiro para sua sucessão.