UA-71849655-1
Mostrando postagens com marcador Século XIX. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Século XIX. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

As desigualdades sociais brasileiras do século XIX nas brincadeiras infantis

Pessoal, aí está mais um texto que trabalhamos em aula. Lembrando que trata-se de uma adaptação, o texto original está aqui.


Quadro de Debret com crianças brancas e negras brincando juntas.
Para conhecer os costumes e os problemas de uma sociedade, pode ser útil observar como brincam suas crianças. No século XIX, assim como hoje, as crianças brincavam de ser adultos e reproduziam a realidade de um país marcado pela escravidão e pela desigualdade entre homens e mulheres. As brincadeiras, por exemplo, quando acompanhadas por adultos, era pelas mães dos pequenos, já que atender crianças, na época, não era “coisa de homem”.
As brincadeiras demonstravam um olhar sensível para a realidade da época: brincar de ser adulto possibilitava para os meninos ricos imaginar-se como proprietários dos escravos e maltratar animais diante das crianças escravas, como exemplo do que poderiam fazer com “seus escravos”. Algumas crianças tinham seu próprio chicote e os filhos de fazendeiros faziam das crianças negras o seu próprio brinquedo, exigindo que fossem seus cavalinhos ou “animaizinhos da fazenda”.
O ambiente doméstico e o fato de meninos livres e escravos brincarem sob o mesmo teto reforçam a ideia de amizade entre eles, como se as brincadeiras fossem capaz de diminuir a violência escravocrata. Mas não era assim. Embora fosse possível encontrar no cotidiano situações nas quais as crianças brincavam juntas apesar das diferenças entre livres e escravos, com frequência partiam para ações que demonstravam a ideia de mando do menino branco sobre o negro. Não é a toa que o sociólogo Gilberto Freyre encontrou nos seus estudos a figura do “leva-pancadas”: criança negra que era companheira de brincadeiras dos filhos dos fazendeiros, mas em geral tinha de fazer papeis de submissão, como o “cavalinho”.
Babá negra "cuida" de filho de membros da elite.
Imagens de submissão comuns no século XIX.
Entre as meninas, havia a brincadeira de “tornarem-se comadres” quando tinham um objeto em comum: a boneca de louça. Batizavam as “filhas-bonecas” e tomavam chá repetindo alguns modos que observavam quando senhoras ditas distintas as visitavam. As bonecas de louça eram louras e de olhos azuis, vestidas de modo elegante e nunca saiam para a rua, assim como suas “mães”.
As bonecas de pano eram mais voltadas para as meninas menos abastadas, produzidas artesanalmente por tias ou mães das crianças. As bonecas de pano eram doadas quando suas donas cresciam e depois eram restauradas. As de louça eram raras de serem doadas. Crescendo a menina-mãe da boneca, era mais provável que o brinquedo se mantivesse como relíquia da casa.
Enquanto as meninas de elite brincavam mais dentro de casa, os meninos brincavam fora – não necessariamente na rua, mas nos quintais das grandes casas dos senhores.
Frutos da imaginação infantil, as “comadres” unidas no batismo das bonecas de louça e os “senhores” que transformavam pequenos escravos em animais foram personagens do Brasil Império. 


Texto adaptado de: FREITAS, Marcos. Brincando de ser adulto. IN: Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 8, nº 89, fev. de 2013.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Escravidão no Brasil do século XIX

Pessoal,

aí está os slides que começaremos a ver nas sétimas séries, com a temática da escravidão.

Aproveitem!



Quadro de Jean Baptiste Debret - "barbeiro"

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Resistências à partilha do mundo nas regiões colonizadas (África e Ásia) – 1884-1914


Colonialismo e Imperialismo são dois conceitos que se confundem: ambos definem a expansão política e econômica das nações europeias – especialmente Inglaterra e França, mas também os novos países surgidos no século XIX como Alemanha e Itália, e os decadentes impérios português e espanhol. Tal expansão tinha como objetivo conquistar novos mercados consumidores para a produção industrial europeia, bem como adquirir a custo baixo matérias-primas escassas no velho continente. Também serviu para espalhar a “cultura superior” branca, civilizar os “bárbaros” negros e amarelos daquelas regiões. A Conferência de Berlim (ALE), nos anos de 1884 e 1885 reuniu na capital alemã os líderes das potências europeias, com o propósito de “dividir” o mundo colonial entre eles. Em outras palavras, decidir quem fica com que parte para colonizar e dominar política, econômica e culturalmente, a fim de evitar as já evidentes rivalidades entre as nações imperialistas. A isso se convencionou chamar de “partilha do mundo” entre estas potências.
Representação da briga dos europeus pela colonização africana
No entanto, devemos atentar para o que significou a colonização aos olhos daqueles que a sofreram. Ou seja, dos povos colonizados. Como reagiram? De que forma encararam a invasão de seus territórios? Longe de ficarem passivos ou aceitarem sem questionamentos a dominação europeia, os povos afro-asiáticos impuseram diversas formas de resistências, seja violentas, seja pacíficas e/ou culturais. Enfim, o fato é que não fora fácil para os colonizadores impor seu domínio naquelas regiões. Vejamos alguns casos específicos:







1) África
Destacam-se as resistências violentas contra a ocupação europeia. Apenas uma obteve sucesso:  A Etiópia, na época conhecida como Abissínia, resistiu as tentativas de invasão dos italianos, chegando a derrotar o exército do país europeu. Outros casos não obtiveram sucesso, mas resistiram enquanto puderam as invasões, como o Sudão, o Egito, e a Namíbia.
Nos países do norte africano, de população muçulmana, houve resistências fortemente influenciadas pela religião islâmica.
2) Ásia
No continente asiático, houve várias formas de resistência, na qual destaca-se, sem dúvida, a assimilação cultural e a ocidentalização: foi o caso do Japão, que optou por assimilar características da cultura europeia, sem abrir mão da tradição local e fez sua revolução industrial. Mais ainda, os japoneses acabaram tornando-se também imperialistas! Ou seja, usaram a tática de abrir-se para o Ocidente antes que estes tentassem os conquistarem e buscaram novos mercados na própria região, colonizando a península da Coreia e outras ilhas próximas.
Mahatma Gandhi: principal líder da independência indiana
A Índia acabou conquistada pelos ingleses, mas os indianos souberam aproveitar-se também dos contatos com os colonizadores e buscaram resistir em bases ocidentais, com surgimento de partidos políticos antibritânicos e de movimentos nacionalistas, que adquiriram popularidade e ajudaram o país a libertar-se dos ingleses com a tática pacífica da desobediência civil, de Mahatma Gandhi (1869-1948).
Na China, houve confrontos armados com os ingleses na Guerra dos Boxers (1900), liderados por um movimento nacionalista, que queria evitar a penetração britânica nas terras chinesas. A derrota custou a queda da China diante da Inglaterra, mas mostrou o uso da ideia de nacionalismo  como forma de resistência por aquele grupo de Pequim.
Representação da Guerra dos Boxers, na China

Em suma, a colonização por si só transformou tanto colonizadores como colonizados: a troca cultural, embora desigual em favor do dominador, acaba fornecendo mecanismos de defesa para o povo submetido por estes. Aqueles países nunca mais seriam os mesmos depois da colonização. Resistiram e utilizaram recursos dos próprios dominadores para resistir. Tampouco o colonialismo fora uma exclusividade europeia: países como Japão também a usaram e contra seus vizinhos. Ou seja, não foi só o “homem branco” que conquistou através da força e da violência. Mas sem dúvida, foram os europeus e o seu mito de superioridade os que mais deixaram rastros de destruição e de mortes.


BIBLIOGRAFIA:

REIS Fº, Daniel; FERREIRA, Jorge; ZENHA, Celeste. O Século XX: o tempo das certezas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2011.

Aqui, os mapas da partilha na África e na Ásia!