UA-71849655-1
Mostrando postagens com marcador Segunda Guerra Mundial. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Segunda Guerra Mundial. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Hiroshima e Nagasaki: 60 anos dos ataques nucleares

Mês passado - mais precisamente nos dias 6 e 9 de agosto - fez 60 anos dos ataques norte-americanos as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Ataques que marcaram o fim da Segunda Guerra Mundial e, para muitos historiadores, o início da rivalidade entre Estados Unidos e União Soviética. No texto abaixo, o historiador Sidney Munhoz - presente na Revista de História da Biblioteca Nacional -  debate os motivos do ataque, bem como o desenvolvimento do Projeto Manhattan. 

O pior dos fins
Bombardeios nucleares em Hiroshima e Nagasaki ainda geram vítimas e controvérsias. Necessidade ou crime de guerra?
Sidnei J. Munhoz

Era o dia 6 de agosto de 1945. O avião B-29, Enola Gay, comandado pelo coronel Paul Tibbets, sobrevoou Hiroshima a 9.448 metros de altitude e, quando os ponteiros do relógio indicaram 8h16, bombardeou-a com um artefato nuclear de urânio, com 3 m de comprimento e 71,1 centímetros de diâmetro e 4,4 toneladas de peso. A bomba, apelidada de Little Boy, foi detonada a 576 metros do solo. Um colossal cogumelo de fumaça envolveu a região. Corpos carbonizados jaziam por toda parte. Atônitos, sobreviventes vagavam pelos escombros à procura de comida, água e abrigo. Seus corpos estavam dilacerados, queimados, mutilados. Cerca de 40 minutos após a explosão, caiu uma chuva radioativa. Muitos se banharam e beberam dessa água. Seus destinos foram selados. 
Imagem do momento da explosão em Hiroshima


Três dias depois, um novo ataque nuclear aniquilava outra cidade do Japão, Nagasaki, desta vez com uma bomba de plutônio (Fat Man). Dias 6 e 9 de agosto de 1945. Estas datas entraram para a história como símbolos indeléveis da tragédia humana, e ainda hoje provocam disputas de interpretações: os ataques foram necessários para encerrar o conflito ou uma decisão política para intimidar a União Soviética?

Em agosto de 1939, Albert Einstein escreveu uma carta ao presidente Franklin D. Roosevelt. Exilado nos Estados Unidos, o renomado cientista alertava sobre a possibilidade de os alemães desenvolverem uma poderosa bomba a partir da fissão atômica do urânio. Preocupado, Roosevelt designou uma comissão para estudar o assunto. Em 1942 foi criado o “Projeto Manhattan”, comandado pelo general Leslie Groves e com equipe científica coordenada por Julius R. Oppenheimer. O programa funcionava sob segredo de Estado e disciplina militar. Iniciado com parcos recursos, logo se tornou prioridade, com investimentos de 2 bilhões de dólares e uma equipe de centenas de cientistas e cerca de 130 mil trabalhadores. 

A Segunda Guerra aproximava-se do final quando, em 16 de julho de 1945, o artefato nuclear foi testado com sucesso em Alamogordo, no Novo México, Estados Unidos. Após acompanhar a experiência, o secretário da Guerra, Henry Stimsom, voou para a Alemanha, onde acontecia a Conferência de Potsdam, e transmitiu a notícia ao presidente Harry Truman, que decidiu bombardear o Japão.

O uso da aviação tornara-se cada vez mais intenso durante a Segunda Guerra. Cidades como Londres, Dresden e Berlim foram devastadas por bombardeios. Ao vislumbrarem o final da batalha na Europa, os Estados Unidos focaram no Japão. Em meados de 1944, aviões B-29 – conhecidos como “fortalezas aéreas” e determinantes para mudar os rumos da guerra – passaram a fustigar as principais cidades daquele país. Em junho, os Estados Unidos conquistaram as ilhas Marianas, no Pacífico, onde construíram uma base aérea. Dali partiam os ataques.
A princípio, o objetivo era destruir a infraestrutura militar e industrial dos japoneses. No entanto, em 1945, iniciaram-se bombardeios noturnos contra grandes cidades. Na madrugada de 10 de março, mais de 2 mil toneladas de bombas incendiárias destruíram um quarto de Tóquio, mataram cerca de 85 mil civis e feriram 100 mil. Nos dias seguintes, Nagoya, Kobe e Osaka foram arrasadas. Em maio, Tóquio, Osaka e Nagoya novamente viraram alvos, além de Yokohama e Kawasaki. Em julho, os bombardeios espalharam-se para cidades médias e pequenas, reduzindo-as a escombros. Entre março e julho, os bombardeios mataram mais de 300 mil civis, feriram 1 milhão e desabrigaram de 8 a 10 milhões de pessoas. O desfecho trágico e definitivo viria com a decisão do bombardeio atômico. Inicialmente foram escolhidas como alvo, por ordem de prioridade, as cidades de Hiroshima, Kokura, Nagasaki e Niigata. O acaso de uma instabilidade climática poupou Kokura e condenou Nagasaki. 
 
Destroços de Nagasaki

Historiadores ortodoxos defendem que as bombas atômicas foram uma medida necessária para encerrar de vez o conflito com o Japão. Haveria evidências de que o país preparava uma forte defesa, uma batalha decisiva. O ataque nuclear, ao abreviar a guerra, teria poupado a vida de milhares de soldados estadunidenses e de civis japoneses, uma vez que um desembarque no Japão custaria de 500 mil a 1 milhão de vidas. Revisionistas, no entanto, afirmam que a decisão foi uma demonstração de força para chantagear os soviéticos, em função das tensões emergentes entre as duas potências. Os japoneses já teriam até mesmo acenado com uma rendição, mas para os Estados Unidos seria mais vantajoso terminar a guerra com o Japão antes da entrada da União Soviética, evitando a divisão de áreas de influência na região. Desta perspectiva, os bombardeios nucleares ao Japão são considerados como as primeiras declarações da Guerra Fria.

Há discrepâncias também sobre as fatalidades. Enquanto o “Projeto Manhattan” computa 66 mil mortos, o governo de Hiroshima contabiliza cerca de 130 mil mortes imediatas e mais 10 mil até novembro de 1945. Em Nagasaki, as estatísticas do “Projeto Manhattan” contam 39 mil mortes simultâneas ao bombardeamento, enquanto a cidade reconhece 73.884 mortes e 74.909 feridos. 

Pior do que a permanência das controvérsias são os efeitos que perduraram nas populações atingidas. Ao longo dos anos, a radioatividade continuou a ceifar e a degradar vidas por meio do câncer, da leucemia e da deformação genética. 


Sidnei J. Munhoz é professor da Universidade Estadual de Maringá e autor de “Os bombardeios nucleares a Hiroshima e Nagasaki”, In: SILVA, Francisco Carlos Teixeira da et alli. O Brasil e a Segunda Guerra Mundial (Multifoco, 2010).

Link do texto no site da Revista de História da Biblioteca Nacional: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/o-pior-dos-fins

Vinicius de Moraes fez um poema, depois musicado pelos Secos & Molhados, chamado Rosa de Hiroshima. Pode ser ouvida abaixo:

A ROSA DE HIROSHIMA
(Vinicius de Moraes/Secos e Molhados)

Pensem nas crianças mudas, telepáticas
Pensem nas meninas cegas, inexatas
Pensem nas mulheres, rotas alteradas
Pensem nas feridas como rosas cálidas
Mas, oh! não se esqueçam da rosa, da rosa
Da rosa de Hiroshima, a rosa hereditária
A rosa radioativa, estúpida inválida
A rosa com cirrose a antirosa atômica
Sem cor, sem perfume, sem rosa

Sem nada.


domingo, 6 de julho de 2014

Dica de filmes: Fascismo e Segunda Guerra

Prezados, coloco abaixo alguns filmes sobre o fascismo e a Segunda Guerra:

1) O Grande Ditador (1940, EUA, Charlie Chaplin) - filme completo
Famosa sátira ao nazi-fascismo e seus líderes feita pelo gênio Chaplin.



2) A Queda (2004, Alemanha, Oliver Hirschbiegel) - trailer
Polêmico filme alemão que retrata os últimos dias do ditador nazista Adolf Hitler.



3) A Outra História Americana (1999, EUA, Tony Kaye) - trailer
Filme que mostra as ações de um neonazista, sua prisão e sua tentativa de tomar um novo caminho junto com a família.



4) A Vida É Bela (1999, Itália, Roberto Benigni) - trecho do filme
O ator e cineasta italiano Roberto Benigni constrói uma bela história de um homem preso junto com o filho em um campo de concentração e que luta para demonstrar para a criança que estavam vivendo em um jogo, para protegê-la de saber o que de fato estava ocorrendo.



Roberto Benigni

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Resquícios da Segunda Guerra

Não é incomum encontrar artefatos militares na Europa. Em geral sempre surgem notícias de bombas e outras armas encontradas nos países que foram palco da Segunda Guerra, como este na França (clique aqui). 
Bomba encontrada na França, em 2010
No entanto, já estão em estado critico ou são desativadas, não oferecendo riscos. Infelizmente não foi o que ocorreu hoje, na pequena cidade de Euskirchen, na Alemanha: uma bomba explodiu e deixou um morto e oito feridos! deem uma olhada na notícia do site terra:



  atualizado às 14h15

Homem morre após escavadeira detonar bomba da 2ª Guerra


O operador de uma escavadeira morreu nesta sexta-feira na cidade de Euskirchen, no oeste da Alemanha, ao chocar acidentalmente o veículo, uma escavadeira, com uma bomba da Segunda Guerra Mundial. Com o choque, a bomba foi detonada.
Efeitos da explosão na Alemanha
A explosão ocorreu por volta do meio-dia local, informou a polícia, em um complexo industrial nos arredores dessa cidade do estado federado da Renânia do Norte-Vestfália. O condutor da escavadeira morreu na hora, duas pessoas ficaram feridas com gravidade e outras seis sofreram lesões leves.
Segundo testemunhas, o estrondo da detonação quebrou vidros de janelas de edifícios e lojas das imediações do complexo.
O solo sob muitas cidades alemãs ainda possuem artilharia lançada pelos Aliados e as forças soviética e que ainda não explodiu. No geral, essas bombas são desativadas sem perigo quando encontradas.
Com informações adicionais da agência AFP

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Sobre o(s) Fascismo(s)



Surgido na Itália entre os anos 10 e 20, o fascismo - ou os fascismos - caracterizou-se por ser um movimento altamente radical, ultranacionalista e que apresentava como plataforma a construção de uma sociedade homogênea, ou seja, em que todos os cidadãos teriam que adotar integralmente e apoiar a ideologia deste grupo político. Enfim, uma sociedade hierarquizada e subordinada a um líder e a um partido de orientação fascista.
Cartaz de O Grande Ditador

A partir da Itália, o fascismo espalhou-se para outros lugares e aproveitou-se com bastante facilidade da crise que os regimes democráticos no mundo vinham enfrentando após a I Guerra Mundial (1914-1918), especialmente nos países que saíram enfraquecidos do conflito: não é por acaso que a Itália foi a precursora destes movimentos com Benito Mussolini (1889-1945), que tornou-se primeiro-ministro do país a partir de 1922. Na Alemanha, um ex-combatente da grande guerra, Adolf Hitler (1889-1945), apropriou-se do clima de humilhação e revolta dos alemães e fundou o Partido Nacional-Socialista da Alemanha, ou o partido nazista, e chegou ao poder no ano de 1933. 

O apoio da população veio em massa: mas porque ele ocorrera? muitos historiadores alegam questões como a capacidade de discursar de Hitler, que teria feito os alemães aceitarem suas ideias apenas pelo dom de sua fala... Todavia, a questão é muito mais complexa: como já dito, a Alemanha havia sido arrasada na I Guerra e humilhada por franceses e ingleses com o Tratado de Versalhes, ambiente propício para que uma nova ideologia pudesse prosperar. Não bastasse isso, o governo alemão reprimiu com força as tentativas socialistas de chegada ao poder político, por temer que o modelo soviético-comunista adentrasse no território alemão. Com uma democracia em descrédito e os socialistas enfraquecidos, o caminho ficou aberto para a ascensão nazista. Os nazistas exploraram muito bem um preconceito já tradicional entre os alemães: o antissemitismo, o ódio aos judeus. Ao transformá-los nos grandes culpados pela crise alemã, os nazistas trouxeram parcelas consideráveis da população alemã para o seu lado. A crise da democracia liberal alemã também fora utilizada pelos nazistas na conquista de adeptos, ao alegarem que aquele sistema político não estava conseguindo recuperar o país e que "permitia" a humilhação ao povo alemão, segundo os seguidores de Hitler, um povo "de raça ariana, superior a todas as outras". Em outras palavras, logicamente que o poder oratório de Hitler ajudou, mas o contexto da época explica melhor porque muitos alemães aderiram ao projeto nazista...
encontro de ditadores: Mussolini (esq.) e Hitler (dir.)

É importante ressaltar que o fascismo não fora uma exclusividade alemã e italiana, nem ocorreu apenas nos anos entre-guerras e durante a Segunda Guerra Mundial (1919-1945): Outras regiões e países, se não foram regimes fascistas, viram nesta época surgir movimentos de orientação extremista á direita. No Brasil, a Associação Integralista Brasileira (AIB) era o protótipo do fascismo brasileiro: ultranacionalista e radical, com pretensões de chegar ao poder. Nos dias de hoje, movimentos neonazistas estão espalhados no mundo ou mesmo organizações políticas ultranacionalistas como a Frente Nacional Francesa, de Jean-Marie Le Pen (1928-) (clique aqui) e o Aurora Dourado, da Grécia (e aqui), que se aproveitam da atual crise europeia para prosperar ideias de ódio aos imigrantes e de valorização extrema de símbolos nacionais. Mesmo próximos de nós, infelizmente, vemos casos de intolerância herdadas do fascismo (e mais aqui)

Enfim, os fascismos foram vários e cada um tem suas especificidades seja onde ocorreram ou seja quando ocorreram. 
Seleção francesa campeã do mundo de futebol, em 1998: alguns jogadores como Zidane e Desailly foram vitimas do racismo de Le Pen, que alegou que "não poderiam representar a seleção por não terem sangue puro francês"
Cabe a nós estarmos atentos e evitarmos ao máximo o preconceito e a intolerância e buscarmos resolver qualquer problema, de ordem política, social, cultural ou econômica a partir do diálogo e da democracia!
Nazismo deve ser sempre repudiado!

Abaixo, dicas de filmes sobre o assunto:

  • O Grande Ditador (The Great Dictator, 1940, EUA, Charlie Chaplin) - Primeiro filme falado de Chaplin. Nele, um dos grandes gênios do cinema debocha de Hitler e das ideias nazi-fascistas. Ao fim do longa, Chaplin faz um discurso clássico em defesa da democracia e contra aqueles regimes totalitários.
  • A queda: as últimas horas de Hitler (Der Untergang, ALE/ITÁ/ÁUT, 2004, Oliver Hirschbiegel) - Este filme narra os últimos momentos de Hitler antes da queda definitiva de Berlim na II Guerra Mundial. Causou polêmica na Alemanha, em que fora acusado de "humanizar" o ditador nazista, além de mexer com antigas feridas germânicas quanto ao regime nazista.
  • A outra história americana (American history X, EUA, 1998, Tony Kaye) - Este conta a história de um jovem neonazista americano que muda sua forma de pensar após uma estadia na prisão por ter assassinado um negro.

Cena final de O Grande ditador:






segunda-feira, 29 de julho de 2013

II Guerra Mundial: avanços e recuos


Prezados/as,

Conforme o combinado com as turmas 81 e 82, estou disponibilizando o slide que mostra de forma didática os avanços e recuos dos exércitos durante a II Guerra Mundial, tanto dos aliados (Grã-Bretanha, França, União Soviética e EUA) como do Eixo (Alemanha, Itália e Japão).
Este mapa permite uma boa leitura visual dos embates ocorridos durante os anos de 1939-1945, demonstrando com clareza os avanços nazistas e o início de sua derrocada a partir das derrotas do exército alemão na União Soviética e da entrada norte-americana no conflito. 
Além disso, permite o uso dos mapas  entre os historiadores. Embora reconhecidamente instrumento básico da Geografia. os mapas podem e devem ser utilizados na História como uma fonte tanto de análise das mudanças ocorridas em termos territoriais, bem como para ilustrar movimentações de guerra, migrações de povos ao longo do tempo, entre outras coisas.
Portanto, aproveitem!

Abraços!