Mais uma apresentação falando dessa vez sobre os sombrios anos da ditadura no Brasil, passando pelas suas três fases: formação (64-68), institucionalização (68-74) e distensão (74-85).
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Muro de Berlim (1961-1989)
Prezados/as, aí vai os slides sobre o Muro de Berlim, comentado nas turmas 91 e 92. Curiosamente, há exatos 26 anos e um dia iniciava-se a derrubada do Muro.
terça-feira, 15 de setembro de 2015
Hiroshima e Nagasaki: 60 anos dos ataques nucleares
Mês passado - mais precisamente nos dias 6 e 9 de agosto - fez 60 anos dos ataques norte-americanos as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Ataques que marcaram o fim da Segunda Guerra Mundial e, para muitos historiadores, o início da rivalidade entre Estados Unidos e União Soviética. No texto abaixo, o historiador Sidney Munhoz - presente na Revista de História da Biblioteca Nacional - debate os motivos do ataque, bem como o desenvolvimento do Projeto Manhattan.
O pior dos fins
Bombardeios nucleares em Hiroshima e Nagasaki ainda geram vítimas e controvérsias. Necessidade ou crime de guerra?
Sidnei J. Munhoz
Era o dia 6 de agosto de 1945. O avião B-29, Enola Gay, comandado pelo coronel Paul Tibbets, sobrevoou Hiroshima a 9.448 metros de altitude e, quando os ponteiros do relógio indicaram 8h16, bombardeou-a com um artefato nuclear de urânio, com 3 m de comprimento e 71,1 centímetros de diâmetro e 4,4 toneladas de peso. A bomba, apelidada de Little Boy, foi detonada a 576 metros do solo. Um colossal cogumelo de fumaça envolveu a região. Corpos carbonizados jaziam por toda parte. Atônitos, sobreviventes vagavam pelos escombros à procura de comida, água e abrigo. Seus corpos estavam dilacerados, queimados, mutilados. Cerca de 40 minutos após a explosão, caiu uma chuva radioativa. Muitos se banharam e beberam dessa água. Seus destinos foram selados.
Três dias depois, um novo ataque nuclear aniquilava outra cidade do Japão, Nagasaki, desta vez com uma bomba de plutônio (Fat Man). Dias 6 e 9 de agosto de 1945. Estas datas entraram para a história como símbolos indeléveis da tragédia humana, e ainda hoje provocam disputas de interpretações: os ataques foram necessários para encerrar o conflito ou uma decisão política para intimidar a União Soviética?
Em agosto de 1939, Albert Einstein escreveu uma carta ao presidente Franklin D. Roosevelt. Exilado nos Estados Unidos, o renomado cientista alertava sobre a possibilidade de os alemães desenvolverem uma poderosa bomba a partir da fissão atômica do urânio. Preocupado, Roosevelt designou uma comissão para estudar o assunto. Em 1942 foi criado o “Projeto Manhattan”, comandado pelo general Leslie Groves e com equipe científica coordenada por Julius R. Oppenheimer. O programa funcionava sob segredo de Estado e disciplina militar. Iniciado com parcos recursos, logo se tornou prioridade, com investimentos de 2 bilhões de dólares e uma equipe de centenas de cientistas e cerca de 130 mil trabalhadores.
A Segunda Guerra aproximava-se do final quando, em 16 de julho de 1945, o artefato nuclear foi testado com sucesso em Alamogordo, no Novo México, Estados Unidos. Após acompanhar a experiência, o secretário da Guerra, Henry Stimsom, voou para a Alemanha, onde acontecia a Conferência de Potsdam, e transmitiu a notícia ao presidente Harry Truman, que decidiu bombardear o Japão.
O uso da aviação tornara-se cada vez mais intenso durante a Segunda Guerra. Cidades como Londres, Dresden e Berlim foram devastadas por bombardeios. Ao vislumbrarem o final da batalha na Europa, os Estados Unidos focaram no Japão. Em meados de 1944, aviões B-29 – conhecidos como “fortalezas aéreas” e determinantes para mudar os rumos da guerra – passaram a fustigar as principais cidades daquele país. Em junho, os Estados Unidos conquistaram as ilhas Marianas, no Pacífico, onde construíram uma base aérea. Dali partiam os ataques.
A princípio, o objetivo era destruir a infraestrutura militar e industrial dos japoneses. No entanto, em 1945, iniciaram-se bombardeios noturnos contra grandes cidades. Na madrugada de 10 de março, mais de 2 mil toneladas de bombas incendiárias destruíram um quarto de Tóquio, mataram cerca de 85 mil civis e feriram 100 mil. Nos dias seguintes, Nagoya, Kobe e Osaka foram arrasadas. Em maio, Tóquio, Osaka e Nagoya novamente viraram alvos, além de Yokohama e Kawasaki. Em julho, os bombardeios espalharam-se para cidades médias e pequenas, reduzindo-as a escombros. Entre março e julho, os bombardeios mataram mais de 300 mil civis, feriram 1 milhão e desabrigaram de 8 a 10 milhões de pessoas. O desfecho trágico e definitivo viria com a decisão do bombardeio atômico. Inicialmente foram escolhidas como alvo, por ordem de prioridade, as cidades de Hiroshima, Kokura, Nagasaki e Niigata. O acaso de uma instabilidade climática poupou Kokura e condenou Nagasaki.
Historiadores ortodoxos defendem que as bombas atômicas foram uma medida necessária para encerrar de vez o conflito com o Japão. Haveria evidências de que o país preparava uma forte defesa, uma batalha decisiva. O ataque nuclear, ao abreviar a guerra, teria poupado a vida de milhares de soldados estadunidenses e de civis japoneses, uma vez que um desembarque no Japão custaria de 500 mil a 1 milhão de vidas. Revisionistas, no entanto, afirmam que a decisão foi uma demonstração de força para chantagear os soviéticos, em função das tensões emergentes entre as duas potências. Os japoneses já teriam até mesmo acenado com uma rendição, mas para os Estados Unidos seria mais vantajoso terminar a guerra com o Japão antes da entrada da União Soviética, evitando a divisão de áreas de influência na região. Desta perspectiva, os bombardeios nucleares ao Japão são considerados como as primeiras declarações da Guerra Fria.
Há discrepâncias também sobre as fatalidades. Enquanto o “Projeto Manhattan” computa 66 mil mortos, o governo de Hiroshima contabiliza cerca de 130 mil mortes imediatas e mais 10 mil até novembro de 1945. Em Nagasaki, as estatísticas do “Projeto Manhattan” contam 39 mil mortes simultâneas ao bombardeamento, enquanto a cidade reconhece 73.884 mortes e 74.909 feridos.
Pior do que a permanência das controvérsias são os efeitos que perduraram nas populações atingidas. Ao longo dos anos, a radioatividade continuou a ceifar e a degradar vidas por meio do câncer, da leucemia e da deformação genética.
Sidnei J. Munhoz é professor da Universidade Estadual de Maringá e autor de “Os bombardeios nucleares a Hiroshima e Nagasaki”, In: SILVA, Francisco Carlos Teixeira da et alli. O Brasil e a Segunda Guerra Mundial (Multifoco, 2010).
Link do texto no site da Revista de História da Biblioteca Nacional: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/o-pior-dos-fins
Vinicius de Moraes fez um poema, depois musicado pelos Secos & Molhados, chamado Rosa de Hiroshima. Pode ser ouvida abaixo:
O pior dos fins
Bombardeios nucleares em Hiroshima e Nagasaki ainda geram vítimas e controvérsias. Necessidade ou crime de guerra?
Sidnei J. Munhoz
Era o dia 6 de agosto de 1945. O avião B-29, Enola Gay, comandado pelo coronel Paul Tibbets, sobrevoou Hiroshima a 9.448 metros de altitude e, quando os ponteiros do relógio indicaram 8h16, bombardeou-a com um artefato nuclear de urânio, com 3 m de comprimento e 71,1 centímetros de diâmetro e 4,4 toneladas de peso. A bomba, apelidada de Little Boy, foi detonada a 576 metros do solo. Um colossal cogumelo de fumaça envolveu a região. Corpos carbonizados jaziam por toda parte. Atônitos, sobreviventes vagavam pelos escombros à procura de comida, água e abrigo. Seus corpos estavam dilacerados, queimados, mutilados. Cerca de 40 minutos após a explosão, caiu uma chuva radioativa. Muitos se banharam e beberam dessa água. Seus destinos foram selados.
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| Imagem do momento da explosão em Hiroshima |
Três dias depois, um novo ataque nuclear aniquilava outra cidade do Japão, Nagasaki, desta vez com uma bomba de plutônio (Fat Man). Dias 6 e 9 de agosto de 1945. Estas datas entraram para a história como símbolos indeléveis da tragédia humana, e ainda hoje provocam disputas de interpretações: os ataques foram necessários para encerrar o conflito ou uma decisão política para intimidar a União Soviética?
Em agosto de 1939, Albert Einstein escreveu uma carta ao presidente Franklin D. Roosevelt. Exilado nos Estados Unidos, o renomado cientista alertava sobre a possibilidade de os alemães desenvolverem uma poderosa bomba a partir da fissão atômica do urânio. Preocupado, Roosevelt designou uma comissão para estudar o assunto. Em 1942 foi criado o “Projeto Manhattan”, comandado pelo general Leslie Groves e com equipe científica coordenada por Julius R. Oppenheimer. O programa funcionava sob segredo de Estado e disciplina militar. Iniciado com parcos recursos, logo se tornou prioridade, com investimentos de 2 bilhões de dólares e uma equipe de centenas de cientistas e cerca de 130 mil trabalhadores.
A Segunda Guerra aproximava-se do final quando, em 16 de julho de 1945, o artefato nuclear foi testado com sucesso em Alamogordo, no Novo México, Estados Unidos. Após acompanhar a experiência, o secretário da Guerra, Henry Stimsom, voou para a Alemanha, onde acontecia a Conferência de Potsdam, e transmitiu a notícia ao presidente Harry Truman, que decidiu bombardear o Japão.
O uso da aviação tornara-se cada vez mais intenso durante a Segunda Guerra. Cidades como Londres, Dresden e Berlim foram devastadas por bombardeios. Ao vislumbrarem o final da batalha na Europa, os Estados Unidos focaram no Japão. Em meados de 1944, aviões B-29 – conhecidos como “fortalezas aéreas” e determinantes para mudar os rumos da guerra – passaram a fustigar as principais cidades daquele país. Em junho, os Estados Unidos conquistaram as ilhas Marianas, no Pacífico, onde construíram uma base aérea. Dali partiam os ataques.
A princípio, o objetivo era destruir a infraestrutura militar e industrial dos japoneses. No entanto, em 1945, iniciaram-se bombardeios noturnos contra grandes cidades. Na madrugada de 10 de março, mais de 2 mil toneladas de bombas incendiárias destruíram um quarto de Tóquio, mataram cerca de 85 mil civis e feriram 100 mil. Nos dias seguintes, Nagoya, Kobe e Osaka foram arrasadas. Em maio, Tóquio, Osaka e Nagoya novamente viraram alvos, além de Yokohama e Kawasaki. Em julho, os bombardeios espalharam-se para cidades médias e pequenas, reduzindo-as a escombros. Entre março e julho, os bombardeios mataram mais de 300 mil civis, feriram 1 milhão e desabrigaram de 8 a 10 milhões de pessoas. O desfecho trágico e definitivo viria com a decisão do bombardeio atômico. Inicialmente foram escolhidas como alvo, por ordem de prioridade, as cidades de Hiroshima, Kokura, Nagasaki e Niigata. O acaso de uma instabilidade climática poupou Kokura e condenou Nagasaki.
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| Destroços de Nagasaki |
Historiadores ortodoxos defendem que as bombas atômicas foram uma medida necessária para encerrar de vez o conflito com o Japão. Haveria evidências de que o país preparava uma forte defesa, uma batalha decisiva. O ataque nuclear, ao abreviar a guerra, teria poupado a vida de milhares de soldados estadunidenses e de civis japoneses, uma vez que um desembarque no Japão custaria de 500 mil a 1 milhão de vidas. Revisionistas, no entanto, afirmam que a decisão foi uma demonstração de força para chantagear os soviéticos, em função das tensões emergentes entre as duas potências. Os japoneses já teriam até mesmo acenado com uma rendição, mas para os Estados Unidos seria mais vantajoso terminar a guerra com o Japão antes da entrada da União Soviética, evitando a divisão de áreas de influência na região. Desta perspectiva, os bombardeios nucleares ao Japão são considerados como as primeiras declarações da Guerra Fria.
Há discrepâncias também sobre as fatalidades. Enquanto o “Projeto Manhattan” computa 66 mil mortos, o governo de Hiroshima contabiliza cerca de 130 mil mortes imediatas e mais 10 mil até novembro de 1945. Em Nagasaki, as estatísticas do “Projeto Manhattan” contam 39 mil mortes simultâneas ao bombardeamento, enquanto a cidade reconhece 73.884 mortes e 74.909 feridos.
Pior do que a permanência das controvérsias são os efeitos que perduraram nas populações atingidas. Ao longo dos anos, a radioatividade continuou a ceifar e a degradar vidas por meio do câncer, da leucemia e da deformação genética.
Sidnei J. Munhoz é professor da Universidade Estadual de Maringá e autor de “Os bombardeios nucleares a Hiroshima e Nagasaki”, In: SILVA, Francisco Carlos Teixeira da et alli. O Brasil e a Segunda Guerra Mundial (Multifoco, 2010).
Link do texto no site da Revista de História da Biblioteca Nacional: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/o-pior-dos-fins
Vinicius de Moraes fez um poema, depois musicado pelos Secos & Molhados, chamado Rosa de Hiroshima. Pode ser ouvida abaixo:
A
ROSA DE HIROSHIMA
(Vinicius
de Moraes/Secos e Molhados)
Pensem
nas crianças mudas, telepáticas
Pensem
nas meninas cegas, inexatas
Pensem
nas mulheres, rotas alteradas
Pensem
nas feridas como rosas cálidas
Mas,
oh! não se esqueçam da rosa, da rosa
Da rosa
de Hiroshima, a rosa hereditária
A rosa
radioativa, estúpida inválida
A rosa
com cirrose a antirosa atômica
Sem
cor, sem perfume, sem rosa
Sem
nada.
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Laika: o primeiro ser vivo a ir para o espaço
Retomando o assunto sobre a corrida espacial durante a Guerra Fria, entre EUA e URSS, relembremos a história do primeiro ser vivo a ir para o espaço, demonstrando o pioneirismo russo naquela corrida que culminaria com a viagem à lua do homem. Porém, o primeiro ser vivo não era um humano, e sim o melhor amigo - no caso, amiga - dele.
A PRIMEIRA COSMONAUTA, por Frédérick Gersal
Ela possuía uma expressão doce, era vibrante e enterneceu todo o planeta. Laika se tornaria uma verdadeira heroína da grande história da conquista do espaço e assim é celebrada ainda hoje na Rússia. Sem ela, as mulheres e os homens talvez tivessem permanecido muito mais tempo na Terra. Mas ela também foi vítima da disputa entre dois governos pela hegemonia no cenário geopolítico.
O AMIGO DO HOMEM O cão foi um dos primeiros animais a se deixar domesticar. Arqueólogos descobriram ossadas de cães perto daquelas que certamente eram as de seus senhores, datadas do Período Paleolítico. Incontestavelmente, faz muito tempo que o homem e o cão se uniram por uma causa comum: sobreviver, resistindo juntos, muitas vezes, a espécies mais fortes do que ambos sozinhos.
No decorrer dos séculos, os cães foram utilizados para guardar domicílios, puxar objetos, defender seus donos de ataques, ajudar na caça... Com o avanço da ciência, o cão teve novas serventias, a ponto de oferecer a primeira cosmonauta da história: a pequena Laika.
GUERRA FRIA Lembremo-nos de que, desde o fim da Segunda Guerra Mundial e no decorrer dos dez anos seguintes, as atividades espaciais foram estimuladas pelos imperativos militares das superpotências que emergiram do conflito. Os soviéticos criaram, já em 1948, no seio de seu exército, uma seção especial encarregada de estudar as possíveis utilizações dos foguetes.
Pouco depois, americanos e soviéticos conceberam o projeto, cada um por si, de lançar um satélite artificial que poderia orbitar em torno da Terra. Ambos os países previram que poderiam alcançar o objetivo no ano geofísico internacional de 1957-1958.
Foram os russos, no entanto, que saíram na frente. Em agosto de 1957, a URSS lançou um foguete intercontinental de 8 mil quilômetros de alcance. Nikita Kruschev, primeiro-secretário do Partido Comunista da União Soviética, entusiasmou-se e declarou então que “a era dos aviões havia chegado ao fim e dado lugar à dos foguetes!”. Os ocidentais pensaram que se tratava apenas de um blefe. Mas o governo soviético percebeu que, em termos de propaganda, a vitória tinha sido retumbante. Os engenheiros foram instados a acelerar todos os projetos. Em poucos meses, as vitórias soviéticas na corrida espacial se multiplicaram.
Em 4 de outubro de 1957, ocorreu o lançamento do Sputnik 1, o primeiro satélite artificial a gravitar na órbita da Terra. O artefato se apresentou sob a forma futurista de uma esfera de alumínio de 58 centímetros de diâmetro dotada de quatro antenas. Tendo uma massa de 83,6 quilos, ele possuía dois emissores de rádio que transmitiram para o mundo inteiro, durante 21 dias, os célebres bipes que anunciaram o nascimento da era espacial.
Os oficiais soviéticos, cada vez mais animados, acharam que seria uma excelente ideia mais um lançamento espacial para comemorar o 40º aniversário da Revolução Russa, a ser completado em 7 de novembro (pelo calendário gregoriano). Foi decidido que seria lançado ao espaço o primeiro ser vivo. Enquanto os engenheiros desenvolviam o que seria o Sputnik 2, três cães (Albina, Mushka e Laika) eram treinados e testados para a missão. Em 3 de novembro de 1957, a URSS lançou de Baikonur um satélite de 500 quilos que transportou pela primeira vez um morador da Terra para o espaço. Era uma passageira – e não sem importância, pois se tratava da cadelinha Laika. O anúncio dessa expedição oficial foi feito nos seguintes termos: “O satélite que acabou de ser lançado leva um contêiner hermético dentro do qual se encontram um cão com um aparelho de ar condicionado, reservas de alimento e instrumentos para o estudo do comportamento animal nos espaços interplanetários”.
UMA RAÇA COM HISTÓRIA Essa cadelinha heroica era provavelmente um cruzamento de husky com fox-terrier. Essa segunda raça já fora celebrada pelo romano Plínio, o Velho, que fala dela em sua História natural, do primeiro século da era cristã. Marco Polo foi outro que se referiu aos terriers como cães de caça do Grande Khan. Mas a popularidade desses pequenos animais se deve, sobretudo, a Milou, o fiel companheiro de Tintin.
SEM RETORNO Laika foi não somente pioneira, mas, é forçoso também dizer, mártir, pois não voltou viva de sua viagem ao reino dos céus. Não houve tempo para que os engenheiros russos desenhassem qualquer plano de recuperação para Laika. Dessa vez, um gol contra em termos de relações públicas dos soviéticos, já que a cadela havia conquistado os corações e todos esperaram notícias dela por dias.
Tendo esgotado suas reservas de oxigênio, ela morreu ao fim de cinco a sete horas, na versão mais aceita. Mas há outras teses que preconizam que ela teria sobrevivido por quatro dias, até que uma pane elétrica elevou exponencialmente a temperatura no interior de sua cabine, matando-a de calor.
O certo é que Laika não teve mais do que seis dias de vida espacial, porque no sexto dia da missão as baterias do Sputnik se esgotaram. O satélite vagou em órbita da Terra por meses, desligado, até reentrar na atmosfera em 14 de abril de 1958 e se incendiar, junto com os restos mortais de Laika.
Além de pioneira no espaço, provando que era possível um ser vivo sobreviver fora da atmosfera, a cadelinha, com seu triste fim, alimentou o então quase inexistente debate sobre o uso de animais em experiências científicas. Ou seja, sua morte pode ter salvado a vida de muitos outros de sua espécie.
Ela possuía uma expressão doce, era vibrante e enterneceu todo o planeta. Laika se tornaria uma verdadeira heroína da grande história da conquista do espaço e assim é celebrada ainda hoje na Rússia. Sem ela, as mulheres e os homens talvez tivessem permanecido muito mais tempo na Terra. Mas ela também foi vítima da disputa entre dois governos pela hegemonia no cenário geopolítico.
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| Laika |
O AMIGO DO HOMEM O cão foi um dos primeiros animais a se deixar domesticar. Arqueólogos descobriram ossadas de cães perto daquelas que certamente eram as de seus senhores, datadas do Período Paleolítico. Incontestavelmente, faz muito tempo que o homem e o cão se uniram por uma causa comum: sobreviver, resistindo juntos, muitas vezes, a espécies mais fortes do que ambos sozinhos.
No decorrer dos séculos, os cães foram utilizados para guardar domicílios, puxar objetos, defender seus donos de ataques, ajudar na caça... Com o avanço da ciência, o cão teve novas serventias, a ponto de oferecer a primeira cosmonauta da história: a pequena Laika.
GUERRA FRIA Lembremo-nos de que, desde o fim da Segunda Guerra Mundial e no decorrer dos dez anos seguintes, as atividades espaciais foram estimuladas pelos imperativos militares das superpotências que emergiram do conflito. Os soviéticos criaram, já em 1948, no seio de seu exército, uma seção especial encarregada de estudar as possíveis utilizações dos foguetes.
Pouco depois, americanos e soviéticos conceberam o projeto, cada um por si, de lançar um satélite artificial que poderia orbitar em torno da Terra. Ambos os países previram que poderiam alcançar o objetivo no ano geofísico internacional de 1957-1958.
Foram os russos, no entanto, que saíram na frente. Em agosto de 1957, a URSS lançou um foguete intercontinental de 8 mil quilômetros de alcance. Nikita Kruschev, primeiro-secretário do Partido Comunista da União Soviética, entusiasmou-se e declarou então que “a era dos aviões havia chegado ao fim e dado lugar à dos foguetes!”. Os ocidentais pensaram que se tratava apenas de um blefe. Mas o governo soviético percebeu que, em termos de propaganda, a vitória tinha sido retumbante. Os engenheiros foram instados a acelerar todos os projetos. Em poucos meses, as vitórias soviéticas na corrida espacial se multiplicaram.
Em 4 de outubro de 1957, ocorreu o lançamento do Sputnik 1, o primeiro satélite artificial a gravitar na órbita da Terra. O artefato se apresentou sob a forma futurista de uma esfera de alumínio de 58 centímetros de diâmetro dotada de quatro antenas. Tendo uma massa de 83,6 quilos, ele possuía dois emissores de rádio que transmitiram para o mundo inteiro, durante 21 dias, os célebres bipes que anunciaram o nascimento da era espacial.
Os oficiais soviéticos, cada vez mais animados, acharam que seria uma excelente ideia mais um lançamento espacial para comemorar o 40º aniversário da Revolução Russa, a ser completado em 7 de novembro (pelo calendário gregoriano). Foi decidido que seria lançado ao espaço o primeiro ser vivo. Enquanto os engenheiros desenvolviam o que seria o Sputnik 2, três cães (Albina, Mushka e Laika) eram treinados e testados para a missão. Em 3 de novembro de 1957, a URSS lançou de Baikonur um satélite de 500 quilos que transportou pela primeira vez um morador da Terra para o espaço. Era uma passageira – e não sem importância, pois se tratava da cadelinha Laika. O anúncio dessa expedição oficial foi feito nos seguintes termos: “O satélite que acabou de ser lançado leva um contêiner hermético dentro do qual se encontram um cão com um aparelho de ar condicionado, reservas de alimento e instrumentos para o estudo do comportamento animal nos espaços interplanetários”.
UMA RAÇA COM HISTÓRIA Essa cadelinha heroica era provavelmente um cruzamento de husky com fox-terrier. Essa segunda raça já fora celebrada pelo romano Plínio, o Velho, que fala dela em sua História natural, do primeiro século da era cristã. Marco Polo foi outro que se referiu aos terriers como cães de caça do Grande Khan. Mas a popularidade desses pequenos animais se deve, sobretudo, a Milou, o fiel companheiro de Tintin.
SEM RETORNO Laika foi não somente pioneira, mas, é forçoso também dizer, mártir, pois não voltou viva de sua viagem ao reino dos céus. Não houve tempo para que os engenheiros russos desenhassem qualquer plano de recuperação para Laika. Dessa vez, um gol contra em termos de relações públicas dos soviéticos, já que a cadela havia conquistado os corações e todos esperaram notícias dela por dias.
Tendo esgotado suas reservas de oxigênio, ela morreu ao fim de cinco a sete horas, na versão mais aceita. Mas há outras teses que preconizam que ela teria sobrevivido por quatro dias, até que uma pane elétrica elevou exponencialmente a temperatura no interior de sua cabine, matando-a de calor.
O certo é que Laika não teve mais do que seis dias de vida espacial, porque no sexto dia da missão as baterias do Sputnik se esgotaram. O satélite vagou em órbita da Terra por meses, desligado, até reentrar na atmosfera em 14 de abril de 1958 e se incendiar, junto com os restos mortais de Laika.
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| Monumento em homengagem a Laika, inaugurada em 2008, na capital russa, Moscou |
Além de pioneira no espaço, provando que era possível um ser vivo sobreviver fora da atmosfera, a cadelinha, com seu triste fim, alimentou o então quase inexistente debate sobre o uso de animais em experiências científicas. Ou seja, sua morte pode ter salvado a vida de muitos outros de sua espécie.
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Sim, o homem foi à Lua
1969, auge da corrida espacial da Guerra Fria: o que um lado fazia, o outro tentava não apenas repetir, mas fazer melhor. Dentre as várias áreas em que Estados Unidos e União Soviética "guerrearam" foi na tecnologia espacial. A ida do homem à lua, projetada e concretizada pelos americanos, foi uma resposta aos avanços soviéticos na tecnologia, avanços que culminaram com a primeira viagem espacial tripulada por Yuri Gagarin, em 1961, um feito russo espetacular.
No entanto, até hoje ouvimos questionamentos quanto a ida de Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michel Collins. Será que estavam em um estúdio hollywoodiano? O que explica a bandeira americana tremulando em lugar que não tem atmosfera, logo, não tem ar? E as estrelas, porque não aprecem nas fotos? E porque o homem nunca mais voltou a lua?
Nesta reportagem do site G1 (clique aqui), feita em 2009 por ocasião dos 40 anos da viagem, o astrônomo Ronaldo Mourão explica esses mitos, dentre eles o caso da bandeira: segundo o astrônomo ela não estava tremulando de fato, mas sim, estava amassada! vejam o que ele diz:
Preste atenção nas imagens: a bandeira americana não está voando. Ela está amassada, por que estava guardada em algum canto do apertadíssimo módulo lunar. É possível perceber que não há variação nas “ondas” da bandeira, não importa qual foto se veja. “
Ou seja, em todas as fotos ela aparece na mesma posição, com a mesma ondulação, o que demonstra que ela estava intacta, não estava se mexendo.
Outros pontos: a União Soviética não só reconheceu, como cooperou, em partes, com a viagem americana pois estava lançando uma sonda para a Lua também. Como havia o risco de choque entre a sonda e a Apollo 11 (nave americana), os dois rivais tiveram que entrar em contato para evitar a batida. O homem não retornou a lua devido ao "gelo" soviético quanto a viagem americana. Os russos ignoraram a viagem e passaram a investir recursos em outros projetos. Como rival não quis competir, os estadunidenses acabaram também direcionando suas pesquisas para outras áreas.
Enfim, deem uma lida na reportagem e também em outra, do mesmo site, que fala qual a situação atual das bandeiras (foram 6 bandeiras, não apenas uma) fincadas na Lua.
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| Corrida espacial: EUA X URSS |
Nesta reportagem do site G1 (clique aqui), feita em 2009 por ocasião dos 40 anos da viagem, o astrônomo Ronaldo Mourão explica esses mitos, dentre eles o caso da bandeira: segundo o astrônomo ela não estava tremulando de fato, mas sim, estava amassada! vejam o que ele diz:
Preste atenção nas imagens: a bandeira americana não está voando. Ela está amassada, por que estava guardada em algum canto do apertadíssimo módulo lunar. É possível perceber que não há variação nas “ondas” da bandeira, não importa qual foto se veja. “
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| Duas imagens da bandeira |
Ou seja, em todas as fotos ela aparece na mesma posição, com a mesma ondulação, o que demonstra que ela estava intacta, não estava se mexendo.
Outros pontos: a União Soviética não só reconheceu, como cooperou, em partes, com a viagem americana pois estava lançando uma sonda para a Lua também. Como havia o risco de choque entre a sonda e a Apollo 11 (nave americana), os dois rivais tiveram que entrar em contato para evitar a batida. O homem não retornou a lua devido ao "gelo" soviético quanto a viagem americana. Os russos ignoraram a viagem e passaram a investir recursos em outros projetos. Como rival não quis competir, os estadunidenses acabaram também direcionando suas pesquisas para outras áreas.
Enfim, deem uma lida na reportagem e também em outra, do mesmo site, que fala qual a situação atual das bandeiras (foram 6 bandeiras, não apenas uma) fincadas na Lua.
Astrônomo desmente mitos de que homem não teria ido à Lua: http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL1230054-17082,00-ASTRONOMO+DESMENTE+MITOS+DE+QUE+HOMEM+NAO+TERIA+IDO+A+LUA.html
Cinco bandeiras dos EUA continuam inteiras na Lua após 40 anos: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/07/cinco-bandeiras-dos-eua-continuam-de-pe-na-lua-apos-40-anos.html
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Surgimento da Internet
Há exatos 45 anos - 7 de abril de 1969 - nascia esta tecnologia que hoje em dia está tão presente no nosso cotidiano: a internet. criada inicialmente como um meio de troca de informações sigilosas entre os militares norte-americanos (lembremos que estávamos na Guerra Fria e qualquer informação que não podia cair em mãos inimigas: os americanos protegiam suas informações dos soviéticos e vice-versa).
No entanto, ao longo do tempo, este mecanismo que interligava vários equipamentos ao mesmo tempo por uma rede em comum foi se adaptando aos computadores domésticos, criados nos anos 70, e chegou aos lares do cidadão comum. Hoje em dia, a Internet está presente em celulares, notebooks, tablets, entre outras tecnologias.
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| Apple II (1977) - os computadores domésticos popularizaram a Internet. |
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| Linha do tempo da internet: do surgimento até 1989 |
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
A Guerra Fria em 4 atos (1945-1989)
ATO
I – Montagem da Guerra e hegemonia norte-americana (1945-1949)
Conferências de
Potsdam/ALE e Yalta/URSS (ambas em 1945) à definições geográficas e políticas
dos blocos capitalista e socialista. Os Estados Unidos teriam como zona de
influência a Europa Ocidental e o Japão, e os soviéticos teriam a Europa
Oriental.
Plano Marshall à plano econômico dos
EUA visando recuperar países devastados na II Guerra.
Doutrina Truman à ideia política de
defesa das “nações livres”, ou seja, proteção a possíveis tentativas de interferência
política da União Soviética nas áreas de influencia estadunidense. Exploração
do medo comunista pelos EUA nos países europeus e no Japão.
Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) à
Aliança militar dos EUA com os seus aliados europeus para protegê-los de
possíveis avanços russos.
Organização das Nações Unidas (ONU) àorganização
que pretendia reunir todos os países do mundo e mediar conflitos. Fortemente
influenciado pelos EUA no seu início, sendo um braço diplomático de Washington.
Resposta Soviética: Conselho de Assistência Mútua Econômica
(CAME/Comecon) e o Pacto de Varsóvia à equivalentes
socialistas ao Plano Marshall e a OTAN.
Alemanha dividida: lado Ocidental sob influência capitalista e
o Oriental sob domínio soviético.
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| Conferência de Ialta: Churchill, Roosevelt e Stálin. |
ATO
II – Coexistência pacífica entre as potências e a emergência das periferias do
globo (1950-1962)
Centro à países em que são
tomadas as decisões principais referente ao período: EUA e URSS, além de seus
aliados europeus e asiáticos.
Periferia à países e colônias distantes
das decisões, alguns dependentes de países centrais seja como colônia, seja
como área de influência de um dos blocos e que irão buscar protagonismo a
partir da década de 50. Surgimento do Movimento dos Países Não-alinhados, que não compactuam com a
situação da Guerra Fria entre as potências centrais e que irão se unir para
reivindicar o fim imediato do colonialismo e melhorias sociais e econômicas em
suas nações. Destacavam-se a índia, Indonésia, Paquistão, China, Cuba, Etiópia,
Egito, Turquia, Vietnã, entre outros.
Este período
demonstrava que o mundo não girava apenas em torno das superpotências: os
não-alinhados eram o exemplo de que os países do terceiro mundo
eram capazes de unirem-se e organizarem-se, e que tinham autonomia decisória na
relação com os dois polos principais do globo.
Europa à formação da
Comunidade Europeia, embrião da União Europeia (UE) – surgimento do Estado de
Bem-estar social: implantação de políticas estatais de assistência
social tais como empréstimos, prestação de serviços públicos (hospitais,
escolas, etc.), geração de empregos públicos, atendimento as revindicações
sociais trabalhistas, etc.
Revolução Chinesa (1949) : adesão chinesa ao comunismo
Guerra da Coréia (1950-1953): divisão da
península da Coréia em Norte socialista e Sul capitalista
Construção do Muro de
Berlim (1961) e Revolução Cubana (1962)
ATO
III – Distensão entre as potências (1962-1979)
EUA e URSS entram em
acordos visando limitar o armamento de ambos os lados e diminuir o envolvimento
russo com os movimentos nacionalistas do terceiro mundo.
Fortalecimento dos
países não-alinhados na ONU, fazendo os EUA perderem sua hegemonia nesta organização
Crise econômica na Europa à
o Bem-estar social em xeque?
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| Menina vietnamita fugindo de um ataque americano |
1968 à ano de inconformismo
entre os jovens e trabalhadores e outros grupos sociais ao redor do mundo
quanto a Guerra Fria e a hegemonia americana. Episódios marcantes como a Guerra
do Vietnã (1955-1975) em que os americanos tentam impor o
capitalismo naquele país asiático e acabam sendo derrotados e a Primavera
de Praga (1968), na antiga Tchecoslováquia, em que o governo
comunista local tentou pôr em prática um socialismo mais democrático e acabou
sendo devastado pelo exército soviético, colocavam em crise a Guerra Fria.
Aliança EUA-China
ATO
IV – Segunda Guerra Fria e queda da URSS (1979-1989)
Governos conservadores nos EUA e nos países europeus: Ronald Reagan(EUA –
1980-1988) e a retomada das discussões ideológicas com a URSS à
discurso do anticomunismo.
Inglaterra e o governo da “dama de ferro” Margareth
Thachter à solução para a crise
europeia: fim do Bem-estar social e imposição do neoliberalismo. Ou
seja, o Estado retiraria quase todos os direitos dos cidadãos e não prestaria
mais serviços públicos de qualidade, entregando-os as iniciativas privadas.
Guerra do Afeganistão (1979-1989): decisiva para o
fim da URSS. Apoio americano aos rebeldes afegãos (dentre eles, Osama Bin
Laden...)
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| Americanos e soviéticos na corrida espacial. |
Revolução iraniana (1979): expulsão dos EUA
deste país pelos revoltosos muçulmanos, com apoio soviético.
Crise Soviética: perda dos apoios no Leste Europeu,
seduzidos pelo capitalismo; crise econômica e política. Mikhail Gorbatchev
assumiu o poder em 1985 e iniciou as reformas políticas na URSS, aliando-se aos
antigos inimigos americanos. Era questão de tempo para o desmoronamento do
socialismo soviético.
Queda do muro de Berlim (1989): símbolo da queda
socialista à fim definitivo da
URSS em 1992.
BIBLIOGRAFIA:
HOBSBAWM, Eric. A era dos
extremos. São Paulo, Companhia das Letras, 1995.
VIZENTINI, Paulo. A Guerra Fria. In:
REIS Fº, D; FERREIRA, J.; ZENHA, C. O
século XX: o tempo das crises. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira,
2005. (p.195-226).
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Esporte e política - o caso de Muhammed Ali
Em tempos de espionagem norte-americana, a notícia abaixo demonstra que esta prática não é nova e tampouco exclusiva a bisbilhotar chefes de governos ou empresas de outros países: os EUA vigiaram seus cidadãos que eram, ou que eles achavam que eram, contra as políticas do governo, especificamente, neste caso, contra a Guerra do Vietnã.
É interessante também por colocar a questão dos esportes e suas relações com os debates políticos e sociais de uma determinada época e lugar. O caso de Ali foi entre tantos outros que existiram - e ainda existem. Podemos citar o uso político que a ditadura-civil militar no Brasil fez da vitória da seleção na Copa de 1970, os boicotes nos Jogos Olímpicos de 1980, em Moscou(União Soviética) - os Estados Unidos se recusaram a participar - e em 1984, em Los Angeles (EUA) - os soviéticos deram o troco e não foram aos Jogos - tudo isso dentro do contexto da Guerra Fria... Em suma, este é um tema rico e que pode ser muito bem explorado no estudo da História.
Muhammad Ali era espionado nos EUA
por críticas à Guerra do Vietnã
Ex-campeão mundial de boxe fez parte de lista de suspeitos, ao lado de Martin Luther King, que tinham suas conversas telefônicas ouvidas pela NSA
Por GLOBOESPORTE.COMLondres
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Vietnã e espionagem da NSA (Foto: AP)
O ex-boxeador Muhammad Ali fez parte de uma relação de pessoas que foram espionadas pela Agência de Segurança Nacional (NSA) por criticas à Guerra do Vietnã, revelam documentos divulgados na quarta-feira. Então campeão mundial dos pesos pesados, Ali foi preso após se recusar a servir ao Exército para lutar no Vietnã. Também perdeu o seu título, além de ter sido banido dos combates.
Além de Ali, o líder negro dos direitos civis Martin Luther King, senadores e jornalistas fizeram parte do programa 'Minarete', que durou de 1967 a 1973, monitorando conversas telefônicas de suspeitos. A existência do programa já era conhecida, mas só agora os nomes das 1.650 pessoas investigadas foram revelados.
O programa foi uma determinação do presidente Lyndon Johnson, preocupado com o crescimento da oposição doméstica à guerra. Os serviços de inteligência verificavam se os protestos eram estimulados por países estrangeiros. Dessa forma, a NSA elaborou, junto a outros organismos de inteligência, uma lista de críticos à guerra.
Segundo os pesquisadores Matthew Aid e William Burr, os abusos de espionagem durante a Guerra do Vietnã superaram amplamente os atuais excessos da NSA denunciados pelo ex-consultor da agência, Edward Snowden.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
1968 não foi um ano qualquer
Mudar o Mundo. Destruir a rigidez capitalismo vs. socialismo. Contestar as velhas ideias conservadoras. Questionar a crueldade da guerra. Pôr contra a parede velhos autoritarismos e preconceitos. A partir dessas palavras os jovens foram às ruas durante todo o ano de 1968 em diversos lugares do mundo, do Rio de Janeiro a Paris, de Praga a Cidade do México.
Nessa série de reportagens feitas pelo Arquivo N, em 2008, no canal fechado Globo News, por ocasião dos 40 anos do 1968, são retomadas as motivações e o que estava em jogo naquele final dos anos 60 em que os jovens resolveram quebrar todas as barreiras existentes - seja no campo politico, social, econômico ou cultural - e sonharam em simplesmente mudar o estado das coisas.
Será que conseguiram? Sentimos efeitos dessa rebeldia hoje? Os movimentos corridos - e que ainda ocorrem no Brasil - guardam alguma semelhança com 68? tirem suas conclusões.
(o primeiro vídeo foi passado nas turmas 81 e 82).
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| Martin Luther King |
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| Festival de Woodstock |
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| Os protestos no Brasil em 2013. |
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