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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Sócrates: o filósofo que conversava

Dentre  as questões que o mundo ocidental herdou dos gregos está a filosofia. Pensar e refletir sobre as coisas,buscar a verdade pela observação, enfim, coisas que a ciência se utiliza até hoje surgiram com os antigos helênicos. A figura que consolidou essa imagem foi a de Sócrates. Dialogando com as pessoas, Sócrates questionava as certezas que os atenienses tinham sobre os seus valores e ideias.
Busto de Sócrates

Por tal ousadia, o filósofo acabou condenado a morte. Vejamos esse texto de Renato Janine Ribeiro, publicado na Zero Hora de 7 de fevereiro de 2015 para entender o filósofo que conversava.

Os filósofos corruptos
A cidade de Atenas não entendeu o que dizia Sócrates. Não conseguiu compreender que ele não pregava nada, apenas fazia pensar.
07/02/2015 | 16h06
Em dois mil e quinhentos anos de filosofia (pelo menos, no Ocidente), tivemos dois nomes condenados por corrupção. Um deles é uma glória da filosofia, talvez sua maior glória: Sócrates, que morreu em 399 antes de Cristo. O outro é um grande pensador, um dos inaugurais da modernidade, mas que respeitamos mais por sua contribuição à teoria do conhecimento e às ciências do que à ética ou às disciplinas que lidam com os valores: Francis Bacon, que faleceu em 1626.

Sócrates foi condenado à morte em Atenas – o único dos grandes filósofos a padecer essa pena – por corromper a juventude, ao ensiná-la a desacreditar dos deuses. Tudo nessa história é carregado de significação. O que chamamos de filosofia era novo, tinha um século ou dois. Tal foi a importância de Sócrates que damos aos que o precederam o nome de “pré-socráticos”. E Sócrates nada escreveu (uma pegadinha em vestibulares já foi: “que obras você leu de Sócrates?” e a pior resposta, “todas”). Foi filósofo porque foi professor. Em vez de ditar conteúdos, ia perguntando a seu interlocutor o que este pensava disso ou daquilo, e contestando as respostas, até que o próprio parceiro chegava a conclusões. Era tão democrático seu modo de ensinar que até escravos aprendiam com ele.

A cidade de Atenas não entendeu o que dizia Sócrates. Não conseguiu compreender que ele não pregava nada, apenas fazia pensar. Nem entendeu que duvidar, questionar, perguntar são as formas melhores de aprender. Preferiu, tosca e tolamente, afirmar que ele ensinava (um erro) os jovens a descrer dos deuses (outro erro), pretendendo desta forma acabar com a moral e a vida cívica (terceiro erro). Daí, a pena de morte. Daí, esse início perigoso e honroso para a filosofia.

Que não seguiu o caminho socrático. Todos os filósofos importantes que se seguiram escreveram obras. Poucos foram tão longe quanto ele no questionamento – talvez Descartes, com a dúvida metódica. Só que não: a dúvida cartesiana tende ao monólogo, enquanto o que Sócrates fazia era dialogar. Nenhum filósofo foi tão professor quanto ele. Ah que pena não ter assistido a seus diálogos (que ninguém diga “aulas”).
Obra A Academia de Platão

Mas fica aí a ideia de corrupção para os atenienses e os romanos: era a degradação das virtudes que mantinham o laço social. Corrupção é degradação. Um tecido social bem atado, que remontava aos deuses, se via esgarçado se as mulheres se emancipavam, se o luxo tomava conta da cidade, se a dominação patriarcal era contestada – e também, esta a parte da filosofia nisso tudo, se as verdades pregadas fossem postas em dúvida.


Talvez seja essa bendita corrupção socrática o cerne da filosofia. Um trabalho de formiga, que jamais faz apologia, só contesta. A ponto de soar insuportável. Por que problematizar o óbvio? Por que complicar as coisas? Mas a filosofia nunca pode ser elogio dos poderosos.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Os escribas no Egito Antigo: Burocratas ou intelectuais?

Muito se tem estudado nos últimos anos sobre a vida cotidiana dos homens e das mulheres no Egito Antigo: camponeses, sacerdotes, faraós, escravos, entre outros personagens sociais da sociedade antiga egípcia tem sido alvos de estudos a partir dos vestígios encontrados por arqueólogos e historiadores.
Representação de um escriba
Uma das figuras mais polêmicas nestes estudos é a do escriba: É visto por alguns autores como um mero reprodutor das ordens dadas pelos poderosos faraós, um burocrata que segue ordens, tão somente. Outros veem nos escribas algo além: apesar de sua função principal ser de fiscal e de administrador dos recursos que chegam aos templos, o escriba também é um intelectual: uma vez que domina a escrita, encontram possibilidades de se afirmarem como um grupo social importante e que produz cultura para além do templo.
 Não há dúvidas quanto ao papel principal dos escribas nesta sociedade: autores como Jean Yoyotte colocam o Escriba como o funcionário principal do faraó: era ele que planejava e organizava as grandes obras, com os seus conhecimentos; coordenavam os ritos religiosos e administravam as terras públicas, conforme a citação a seguir de um escriba sobre este tipo de trabalho:

“Estou a executar, com extremo zelo e uma dureza de ferro, todas as tarefas que o meu senhor me confiou (...) A casa do meu senhor está bem, os seus servos estão bem, o gado e os bois estão bem; comem ferragem todos os dias e os pastores trazem erva para os alimentar.” (trecho retirado de ROCCATTI).

Esse relato demonstra que, de fato, o escriba tem responsabilidades com o Rei: é ele que está cuidando da terra e dos afazeres do campo.
Comparação entre a escrita hieroglífica egípcia e o alfabeto.
Entretanto, o escriba também tinham outras funções: faziam manuais de arquitetura, engenharia, entre outros, pois dominavam estes assuntos. Além disso, controlavam as “casas da vida”, que eram oficinas de livros existentes dentro dos templos, onde reproduziam obras religiosas importantes para o uso nos rituais como o Livro dos Mortos. E produziram literatura, como a Sátira dos ofícios: Nesta obra, o escriba Dua-Kheti dá instruções ao seu filho sobre qual profissão seguir:

“(…) Por outro lado, não há nenhum ofício melhor do que aquele do escriba: ninguém pode dar-lhe ordens porque ele é quem manda. Não há escriba pobre (…); portanto, agradece a teus pais que te encaminharam para os livros.”

Nota-se nesta obra que a orientação é que se siga a vida de escriba, com todas as suas vantagens. Em outros trechos, o autor desdenha de outras profissões, demonstrando “superioridade” da profissão de escriba. Nota-se, também, que o escriba não se coloca como um subalterno, afinal, ele dá “ordens”...

BIBLIOGRAFIA:
CARDOSO, Ciro. O Egito Antigo. Ed. Brasiliense, 1982
PINSKY, Jaime. As primeiras civilizações. Atual Editora: São Paulo, 1994.
ROCCATTI, Alessandro. O Escriba. IN: DONADONI, Sérgio (org.) . O Homem egípcio. Editorial Presença: Lisboa, 1994.
YOYOTTE, Jean. O Egito faraônico: sociedade, economia e cultura. IN: MOHKTAR, Gamal (Ed.). História Geral da África, Vol. II: A África Antiga. Brasília: UNESCO, 2010, 2º Ed.
OBS: A citação da Sátira dos Ofícios encontra-se em: José Miguel Serrano Delgado, Textos para la historia antigua de Egipto, Ed. Cátedra,1993.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Os faraós egípcios: reis e deuses


Não é possível falarmos do Egito Antigo sem nos referirmos a figura principal em termos de poder nesta sociedade: O rei, ou, como passou a ser conhecido a partir do Antigo Império, o Faraó. Seja na religião, na política, na sociedade ou na economia, a figura do monarca está sempre presente na vida dos egípcios.
A religião no Egito caracteriza-se pelo seu politeísmo. Além disso, a concepção de vida dos egípcios era impregnada pelas práticas religiosas: A produção originada no Nilo era considerada um presente dos Deuses; os cultos eram feitos visando o bem-estar das divindades, fazendo-as agir pelo bem de todos os egípcios, etc. Na relação entre sociedade e Faraó não é diferente: o rei é visto também como o próprio Deus, cabendo a ele agir da forma que mantenha o povo vivendo bem, sem riscos de perdas na produção econômica ou de ameaças externas. O Rei é o Deus na terra e é sua origem divina que legitima seu poder. Entretanto, após a sua morte, não o Deus que morre: é apenas o homem, pois o seu sucessor herdará as “divindades” que o predecessor representava.
Representação do Faraó Akhenaton (ou Amenófis IV) e sua
família. Este farão reinou no século X a.C.
O poder faraônico é expresso de diversas formas: Quando obriga a população camponesa a trabalhar obrigatoriamente para o Estado, o que é chamado de trabalho compulsório. Quem ergueu as grandes pirâmides ou a esfinge, entre tantas obras “faraônicas”? – expressão, aliás, advinda da grandiosidade das obras construídas pelos senhores do Egito. Graças a esta mão de obra, que não reclamava de tal esforço: uma vez que entendiam aquele trabalho como uma ordem divina, simbolizada pelo Faraó. As artes também são formas de representação do poder político egípcio: nas pinturas é normal aparecer a figura do Rei maior do que dos outros egípcios, ou agredindo os estrangeiros que pudessem invadir o “mundo” egípcio.
A economia é quase totalmente controlada pelo Estado faraônico. Ou seja, praticamente toda a atividade econômica do Egito Antigo está nas mãos do Faraó e sob controle de seus funcionários: na agricultura, atividade por excelência da sociedade egípcia, metade da produção dos camponeses eram recolhidas para os templos. A historiografia consolidou o conceito de corvéia para esta prática. Logicamente quem fazia o “trabalho sujo” eram os funcionários do templo: a eles cabiam fazer o recolhimento da corvéia e há inúmeros testemunhos de que não faziam de forma muito amigável... Mas porque os camponeses deviam pagar a corvéia? Porque praticamente toda a terra pertencia ao Estado, e dessa forma, toda a produção de um camponês pertencia não a si próprio, mas ao Faraó e este tomava as decisões quanto ao destino desta riqueza.

Como vimos, é impossível olharmos a sociedade egípcia sem entendermos a figura do Faraó e o seu papel como monarca.
Processo de mumificação do Faraó

Mais sobre Egito Antigo no Blog: http://profeandersonhistoria.blogspot.com.br/search/label/Egito%20Antigo

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Visita virtual as pirâmides de Giza, no Egito

Pessoal,

Uma boa dica é a visita virtual e 3D a pirâmide de Giza. Construções feitas para servir de tumba para os faraós egípcios em torno de 2.500 ac. É possível, a partir da visita, entrar nas pirâmides, entender o seu funcionamento e sua estrutura, enfim, conhecer por dentro esses importantes complexos arquitetônicos da sociedade egípcia antiga.

Entre clicando aqui !

Ao abrir e carregar a página, entre no link "play the 3D experience" (conforme circulado em branco na foto abaixo). Será pedido para baixar um programa que permitirá a visualização no seu computador. Depois de baixar é só aguardar carregar e sentir-se dentro das pirâmides egípcias!


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Grécia Antiga no Museu Britânico

Pessoal,

Aqui vai o link (clique aqui) para visitar on-line parte do acervo do Museu Britânico de Londres referente a Grécia Antiga!

Cabe lembrar que muito do acervo do Museu fora produto de saques dos ingleses durante o período colonial. Não é a toa que os gregos até hoje reivindicam a volta destes objetos para o país helênico...
Vaso com uma representação da Panateneia - festival realizado pleos gregos em honra da Deusa Athena.